sexta-feira, 20 de junho de 2008

Linux vs. Usuário Final: fundamentalismo

Na Informática em geral e em sistemas operacionais em particular, existem os entusiastas e os fundamentalistas. Linux é um campo fértil nas duas áreas.

Para quem observa de longe, nem sempre é fácil diferenciá-los e todos acabam quase sempre caindo na vala dos fundamentalistas. Estatisticamente, não se pode condenar a generalização; os fundamentalistas podem existir em números menores, mas fazem muito, muito mais barulho. E incomodam. E nunca estão errados. E para cada coitado que conseguem recrutar, criam 10 detratores.

Não tenho os dados do IBGE aqui na minha mesa, mas aposto que a cada 10 odiadores declarados de Linux, pelo menos 8 deles chegaram lá graças aos fundamentalistas.

E com razão. Eu sou um entusiasta declarado de Linux. É minha plataforma de desktop, de notebook, e está no meu Sharp Zaurus e meu Linksys WRT-54G. São quase 10 anos de dedicação e satisfação. Ao longo desse tempo, vários amigos intrépidos decidiram experimentar o Linux também, e a maioria continua com ele. Dentre eles, estão a minha própria mãe e minha dinâmica amiga Lukinha, que são espertas mas não são da Informática.

Sim, existe a barreira do aprendizado, as pequenas frustrações ocasionais e a vontade de persistir. Mas pergunte aos que tiveram a virtude de persistir com modesto auxílio de minha parte, e a resposta é quase sempre positiva: "valeu a pena".

Meu sucesso em livrar meus amigos das incomodações do Windows não é casual, e minha persuasão positiva tem uma explicação simples e quase contraditória: eu sei reclamar das falhas do Linux. Usuários de mente aberta percebem isso, e vários virtuosos respiram fundo e experimentam.

Eu também me frustro com o Linux, às vezes me exasperando profundamente. Entre amigos, despejo porções razoáveis de insultos macabros a programas ou programadores, mas que servem apenas como desabafo. Linux tem os seus problemas e suas excentricidades, e quem me vê reclamando, vê imparcialidade; se ao final de tudo eu ainda acho o Linux tão melhor assim, é porque as partes boas devem ser realmente muito boas. E são. Linux não é para todo mundo, mas se for para você, sorte a sua.

Já, o fundamentalista irrita profundamente. Eles entendem do assunto e você não, independente dos fatos. Já entrei em canais de chat em que tive que encarar uma manada de pirralhos com arrogância vergonhosa. Segregação impressionante; usuários de Ubuntu, Mandriva, SUSE ou Fedora eram publicamente humilhados: "volte pro Windows se você quer um sisteminha que te leve pela mão!"

Esqueça o detalhe de que eu entendia mais do que todos eles juntos: o propósito de vários desses grupos é provar que só o que eles usam ou sabem é o correto.

Novatos apareciam perguntando coisas triviais de responder mas trabalhosas de descobrir: "tem como saber quantos arquivos começam com "praia" na pasta "fotos"? Entre os berros de "vença a preguiça e pesquise no Google!", eu contribuía com o que me vinha à cabeça: soluções às vezes pouco elegantes, mas que resolviam tudo. "Tente a função de busca do Konqueror, ou dê um find fotos/ | grep -i \/praia no console." Resolvido, usuário satisfeito.

Menos eu, que era acusado de estimular os preguiçosos e abrir as portas para a escória do Windows e prejudicar a "comunidade".

Se eu já não gostasse do Linux antes de entrar nesses canais, sairia odiando o Linux. Se a própria comunidade me obriga a caçar documentos e passar horas aprendendo expressões regulares e shell quando alguém pode resolver o seu problema ocasionalmente em 10 segundos, será a última vez em que partilho companhia com esse tipo de gente. E o pior: poderia muito bem rotular as criaturas como "usuários de Linux". Temos um novo "linux-hater", criado com esmero por um bando de egoístas.

Se você nunca experimentou Linux e tem curiosidade, aqui vai uma dica muito importante: não se desestimule se tiver o azar de encontrar idiotas fundamentalistas ao procurar auxílio. Não culpe o Linux. A única culpa do Linux é ter uma base tão barulhenta e presente de egoístas arrogantes. Respire fundo e procure a "gente boa" da comunidade. São mais discretos, mas existem. :)

domingo, 15 de junho de 2008

aMSN: "Não acabou ainda"

Parece que a popularidade repentina do Emesene foi um estímulo saudável aos desenvolvedores do aMSN: este último progrediu em alguns pontos importantes na versão atual (SVN).

Dentre os vários buracos antigos tapados recentemente estão: mensagens offline enquanto invisível agora são possíveis, portas abertas para filetransfer direto realmente funcionam (e podem ser testadas no config!), voice-chat parece funcionar (embora só tenha testado loopback; devo ser o único usuário de PC no RS que possui um headset com microfone), e vários ajustes à interface principal o tornaram mais atraente.

Exemplo: qualquer mensagem inicial de algum usuário pode iniciar minimizada. O programa também fica alerta a mensagens de última hora: se alguma nova mensagem chega 1 segundo antes de você fechá-la, ele não a fecha. Ótimo, não preciso reabri-la para consultar os logs ou, pior, pedir pra repetirem a mensagem.

Nesses tempos em que o sistema de IM mais popular do mundo é uma sombra patética do que foi o ICQ em seus dias de glória, perder mensagens é algo tão normal quanto pegar vírus no Windows, mas é bom ver que alguém ainda cria soluções para os problemas que a Microsoft inventa.

Restou o legado do aMSN, que será impossível de abandonar sem reconstrui-lo do zero: o backend TCL/TK. Ele parece estranho em qualquer plataforma, e se você usa Linux e não sabe o que faz um "configure --enable-xft", esqueça. As fontes serrilhadas do aMSN poderiam fazer um fuzileiro naval chorar. Mas se você usa óculos de grau 6 pra cima, pode tentar usá-lo sem eles. Mas é mais fácil voltar para o Emesene/Gaim/Kopete/Kmess ou qualquer outra coisa feita após 1999.

Comparativo rápido de interfaces atuais: aMSN vs. Emesene:


Certo, o aMSN não parece nada mal na foto, mas a diferença negativa é mais perceptível no Windows. A foto só está assim porque passei uma hora baixando dependências, compilando, polindo e trocando as fraldas do aMSN.

Outro detalhe: no Windows, o Emesene grava seus logs separadamente em HTML, direitinho. O povo do Linux fica amarrado ao fetiche da equipe do Emesene, em usar banco SQLite para logar tudo. Se funcionasse bem, eu não estaria escrevendo isso agora. Por enquanto, não há nenhuma maneira respeitosa de extrair suas mensagens daquele banco; temos um "LogViewer.py" que permite derramar seus pobres textos laboriosamente em um TXT por copy/paste, e um "log_export.py" escondido na pasta do programa, que não faz nada.

Ah, claro, se você entende de SQL, pode fazer suas buscas e saves direto por ali. Legal! Se você for alfaiate também, ainda pode confeccionar um lindo terno para ler seus logs na frente do PC. É maravilhoso, mas só se você for alfaiate e DBA. Eu não sou nenhum dos dois, e estou ressentido com esse favorecimento do Emesene a profissionais de bancos de dados. E alfaiates. Estou no aMSN agora.

Em defesa ao Emesene: eles prometem que haverá uma função elegante de exportar mensagens no futuro. Certo. Mas enquanto isso, por que não deixar a versão do Linux no mesmo "downgrade positivo" do Windows, que simplesmente salva logs em arquivos de texto? Depois de dois meses de uso e longas sessões de chat com poucos usuários, meu Emesene ficava catatônico por 5 segundos em cada minuto, travando toda a interface nesse intervalo. Eu posso não ser alfaiate nem DBA, mas sei bem o porquê desse problema: é um arquivo .db de SQLite gordo e incapaz de lidar com seus próprios logs armazenados.

Enquanto não arrumarem isso, eu cansei. O aMSN pode ser feio, mas não interrompe os meus chats a cada minuto. Lá pela octagésima pausa, começa a irritar.

Aos que usam Windows, teclam pouco, ou não gravam suas conversas automaticamente, ainda recomendo o Emesene. O guri tem potencial. Mas admito que, agora que posso mandar minhas mensagens sob a segurança da invisibilidade, a deselegância do aMSN se torrnou bem mais tolerável.

Nada como um pouco de competição! Estamos perto de ter dois clientes de Messenger completamente satisfatórios, só separados por questão de gosto pessoal. Obrigado aos desenvolvedores destes dois programas; eu reclamo, mas uso e admiro a ambos.