Na Informática em geral e em sistemas operacionais em particular, existem os entusiastas e os fundamentalistas. Linux é um campo fértil nas duas áreas.
Para quem observa de longe, nem sempre é fácil diferenciá-los e todos acabam quase sempre caindo na vala dos fundamentalistas. Estatisticamente, não se pode condenar a generalização; os fundamentalistas podem existir em números menores, mas fazem muito, muito mais barulho. E incomodam. E nunca estão errados. E para cada coitado que conseguem recrutar, criam 10 detratores.
Não tenho os dados do IBGE aqui na minha mesa, mas aposto que a cada 10 odiadores declarados de Linux, pelo menos 8 deles chegaram lá graças aos fundamentalistas.
E com razão. Eu sou um entusiasta declarado de Linux. É minha plataforma de desktop, de notebook, e está no meu Sharp Zaurus e meu Linksys WRT-54G. São quase 10 anos de dedicação e satisfação. Ao longo desse tempo, vários amigos intrépidos decidiram experimentar o Linux também, e a maioria continua com ele. Dentre eles, estão a minha própria mãe e minha dinâmica amiga Lukinha, que são espertas mas não são da Informática.
Sim, existe a barreira do aprendizado, as pequenas frustrações ocasionais e a vontade de persistir. Mas pergunte aos que tiveram a virtude de persistir com modesto auxílio de minha parte, e a resposta é quase sempre positiva: "valeu a pena".
Meu sucesso em livrar meus amigos das incomodações do Windows não é casual, e minha persuasão positiva tem uma explicação simples e quase contraditória: eu sei reclamar das falhas do Linux. Usuários de mente aberta percebem isso, e vários virtuosos respiram fundo e experimentam.
Eu também me frustro com o Linux, às vezes me exasperando profundamente. Entre amigos, despejo porções razoáveis de insultos macabros a programas ou programadores, mas que servem apenas como desabafo. Linux tem os seus problemas e suas excentricidades, e quem me vê reclamando, vê imparcialidade; se ao final de tudo eu ainda acho o Linux tão melhor assim, é porque as partes boas devem ser realmente muito boas. E são. Linux não é para todo mundo, mas se for para você, sorte a sua.
Já, o fundamentalista irrita profundamente. Eles entendem do assunto e você não, independente dos fatos. Já entrei em canais de chat em que tive que encarar uma manada de pirralhos com arrogância vergonhosa. Segregação impressionante; usuários de Ubuntu, Mandriva, SUSE ou Fedora eram publicamente humilhados: "volte pro Windows se você quer um sisteminha que te leve pela mão!"
Esqueça o detalhe de que eu entendia mais do que todos eles juntos: o propósito de vários desses grupos é provar que só o que eles usam ou sabem é o correto.
Novatos apareciam perguntando coisas triviais de responder mas trabalhosas de descobrir: "tem como saber quantos arquivos começam com "praia" na pasta "fotos"? Entre os berros de "vença a preguiça e pesquise no Google!", eu contribuía com o que me vinha à cabeça: soluções às vezes pouco elegantes, mas que resolviam tudo. "Tente a função de busca do Konqueror, ou dê um find fotos/ | grep -i \/praia no console." Resolvido, usuário satisfeito.
Menos eu, que era acusado de estimular os preguiçosos e abrir as portas para a escória do Windows e prejudicar a "comunidade".
Se eu já não gostasse do Linux antes de entrar nesses canais, sairia odiando o Linux. Se a própria comunidade me obriga a caçar documentos e passar horas aprendendo expressões regulares e shell quando alguém pode resolver o seu problema ocasionalmente em 10 segundos, será a última vez em que partilho companhia com esse tipo de gente. E o pior: poderia muito bem rotular as criaturas como "usuários de Linux". Temos um novo "linux-hater", criado com esmero por um bando de egoístas.
Se você nunca experimentou Linux e tem curiosidade, aqui vai uma dica muito importante: não se desestimule se tiver o azar de encontrar idiotas fundamentalistas ao procurar auxílio. Não culpe o Linux. A única culpa do Linux é ter uma base tão barulhenta e presente de egoístas arrogantes. Respire fundo e procure a "gente boa" da comunidade. São mais discretos, mas existem. :)
Para quem observa de longe, nem sempre é fácil diferenciá-los e todos acabam quase sempre caindo na vala dos fundamentalistas. Estatisticamente, não se pode condenar a generalização; os fundamentalistas podem existir em números menores, mas fazem muito, muito mais barulho. E incomodam. E nunca estão errados. E para cada coitado que conseguem recrutar, criam 10 detratores.
Não tenho os dados do IBGE aqui na minha mesa, mas aposto que a cada 10 odiadores declarados de Linux, pelo menos 8 deles chegaram lá graças aos fundamentalistas.
E com razão. Eu sou um entusiasta declarado de Linux. É minha plataforma de desktop, de notebook, e está no meu Sharp Zaurus e meu Linksys WRT-54G. São quase 10 anos de dedicação e satisfação. Ao longo desse tempo, vários amigos intrépidos decidiram experimentar o Linux também, e a maioria continua com ele. Dentre eles, estão a minha própria mãe e minha dinâmica amiga Lukinha, que são espertas mas não são da Informática.
Sim, existe a barreira do aprendizado, as pequenas frustrações ocasionais e a vontade de persistir. Mas pergunte aos que tiveram a virtude de persistir com modesto auxílio de minha parte, e a resposta é quase sempre positiva: "valeu a pena".
Meu sucesso em livrar meus amigos das incomodações do Windows não é casual, e minha persuasão positiva tem uma explicação simples e quase contraditória: eu sei reclamar das falhas do Linux. Usuários de mente aberta percebem isso, e vários virtuosos respiram fundo e experimentam.
Eu também me frustro com o Linux, às vezes me exasperando profundamente. Entre amigos, despejo porções razoáveis de insultos macabros a programas ou programadores, mas que servem apenas como desabafo. Linux tem os seus problemas e suas excentricidades, e quem me vê reclamando, vê imparcialidade; se ao final de tudo eu ainda acho o Linux tão melhor assim, é porque as partes boas devem ser realmente muito boas. E são. Linux não é para todo mundo, mas se for para você, sorte a sua.
Já, o fundamentalista irrita profundamente. Eles entendem do assunto e você não, independente dos fatos. Já entrei em canais de chat em que tive que encarar uma manada de pirralhos com arrogância vergonhosa. Segregação impressionante; usuários de Ubuntu, Mandriva, SUSE ou Fedora eram publicamente humilhados: "volte pro Windows se você quer um sisteminha que te leve pela mão!"
Esqueça o detalhe de que eu entendia mais do que todos eles juntos: o propósito de vários desses grupos é provar que só o que eles usam ou sabem é o correto.
Novatos apareciam perguntando coisas triviais de responder mas trabalhosas de descobrir: "tem como saber quantos arquivos começam com "praia" na pasta "fotos"? Entre os berros de "vença a preguiça e pesquise no Google!", eu contribuía com o que me vinha à cabeça: soluções às vezes pouco elegantes, mas que resolviam tudo. "Tente a função de busca do Konqueror, ou dê um find fotos/ | grep -i \/praia no console." Resolvido, usuário satisfeito.
Menos eu, que era acusado de estimular os preguiçosos e abrir as portas para a escória do Windows e prejudicar a "comunidade".
Se eu já não gostasse do Linux antes de entrar nesses canais, sairia odiando o Linux. Se a própria comunidade me obriga a caçar documentos e passar horas aprendendo expressões regulares e shell quando alguém pode resolver o seu problema ocasionalmente em 10 segundos, será a última vez em que partilho companhia com esse tipo de gente. E o pior: poderia muito bem rotular as criaturas como "usuários de Linux". Temos um novo "linux-hater", criado com esmero por um bando de egoístas.
Se você nunca experimentou Linux e tem curiosidade, aqui vai uma dica muito importante: não se desestimule se tiver o azar de encontrar idiotas fundamentalistas ao procurar auxílio. Não culpe o Linux. A única culpa do Linux é ter uma base tão barulhenta e presente de egoístas arrogantes. Respire fundo e procure a "gente boa" da comunidade. São mais discretos, mas existem. :)
