sexta-feira, 31 de julho de 2015

Bloqueando as malditas propagandas do Chromecast (no seu roteador Linksys)

Desde que comprei um Chromecast para mim, há um ano e meio atrás, minha qualidade de vida mudou para melhor.



Com YouTube e Netflix me esperando em casa, voltei a ter motivos para assistir TV e relaxar. Nada de comerciais deprimentes remetendo você a cada intervalo às lembranças do esgoto que é a TV aberta.

O Chromecast é barato, estável, e para a minha grande alegria até o mês passado, o YouTube era livre de propagandas. Aquelas porcarias que você fica cronometrando os 5 segundos necessários para tirar do caminho no seu PC sem Adblock ou na sua smart TV, simplesmente não apareciam no Chromecast. Era só apertar o botão de transmitir para a TV, e pronto. Toda a playlist tocava sem interrupções.

Tudo isso mudou recentemente. As minhas playlists de dez vídeos de duração média começaram a ser interrompidas a cada dois ou três vídeos por propagandas. Isso acabou com o meu clima de paz por uma semana inteira, até que resolvi quebrar o hiato de três anos deste blog para postar alguma coisa que pode ser útil a mais pessoas:

Como eliminar propagandas no seu Chromecast

Você vai precisar de:
  • Um Chromecast
  • Um roteador Linksys WRT54GL, ou qualquer variante que possa rodar o firmware DD-WRT. Se você ainda está rodando o firmware padrão da Linksys, recomendo muito atualizar.
  • Um desejo irredutível de não se submeter a propagandas do YouTube no seu Chromecast
Entre no seu roteador, aba "Services", e certifique-se de que o serviço "DNSMasq" está ativado:


Depois, aba "Administration", "Commands". Ali, na janela ao lado, você vai colar o seguinte script:

#Redirecionar todos os pedidos de DNS para o dnsmasq local
iptables -t nat -A PREROUTING -i br0 -p udp --dport 53 -j DNAT --to $(nvram get lan_ipaddr)
iptables -t nat -A PREROUTING -i br0 -p tcp --dport 53 -j DNAT --to $(nvram get lan_ipaddr)

#Bloquear sites que servem anuncios - o dnsmasq obedece esta lista
echo "127.0.0.1 ads.youtube.com" >> /etc/hosts
echo "127.0.0.1 s0.2mdn.net" >> /etc/hosts
echo "127.0.0.1 s1.2mdn.net" >> /etc/hosts
echo "127.0.0.1 googleads.g.doubleclick.net" >> /etc/hosts
echo "127.0.0.1 pubads.g.doubleclick.net" >> /etc/hosts
echo "127.0.0.1 ad.doubleclick.net" >> /etc/hosts
echo "127.0.0.1 static.doubleclick.net" >> /etc/hosts
Clique em "Save Startup", e você terá uma tela parecida com essa:


Reinicie o seu roteador e... pronto! A partir deste momento, qualquer aparelho que se conectar a este access point estará livre de anúncios do YouTube. Isso não vale apenas para o Chromecast, mas também a notebooks e smartphones.

Bom divertimento... ainda mais sem anúncios!


Para quem tiver um roteador baseado em Linux em casa e quiser fazer o mesmo, a idéia é esta:

  • O arquivo /etc/hosts deverá ter pelo menos as sete linhas acima que negam acesso aos sites de propaganda;
  • O serviço dnsmasq simplesmente direciona qualquer pedido de DNS para outros servidores, mas... só depois de bloquear o que está na tabela /etc/hosts. Este é o grande segredo.
  • O Chromecast sempre usa os DNS próprios do Google: 8.8.8.8 e 8.8.4.4. Isso não é reconfigurável, então você precisará de uma regra de iptables para direcionar chamadas da porta 53 para o IP onde está o seu dnsmasq, na porta 53.

sábado, 19 de maio de 2012

Bittorrent pelo Linux em 2012

Tendo adquirido, há vários meses atrás, um media player chinês que toca qualquer coisa, meu interesse por arquivos de vídeo cresceu. Inevitavelmente, voltei ao Bittorrent para saciar meu novo apetite.

O que eu encontrei foi um ambiente meio desolado no Linux. Os clientes de bittorrent atuais ou tem poucas funcionalidades, ou tem requisitos quase fetichistas para serem compilados. Ou ainda, como no caso do Frostwire, são mais feios do que bater em mãe.

 Se fossem meios de transporte, estes seriam o Transmission e o Frostwire, respectivamente.
 
Mas não desanime, amigo usuário de Linux. Neste post, eu filtro todas as porcarias e apresento pelo menos uma boa saída. Meu sofrimento não terá sido em vão se tiver poupado o seu tempo.

Nossos candidatos são:
  • Transmission
  • Deluge
  • Frostwire
  • KTorrent
  • qBittorrent

Meus três critérios de avaliação são:

  • Facilmente atualizável e/ou instalável? Não adianta ser bom se roda apenas no KDE 4 e deixa os outros 90% chupando o dedo.
  • Suporta DHT? Essa é uma opção do protocolo que aumenta o número de pessoas com quem podemos conectar. Faz muita falta quando não tem.
  • Suporta Magnet Links? Sites como o Pirate Bay utilizam magnets quase que exclusivamente. Cliente sem suporte a magnets fica sem baixar metade dos torrents disponíveis por aí. Portanto, quem não suporta magnets não é bem vindo a esta década.
Transmission:

A equipe do Transmission parece pensar que interface minimalista é uma coisa boa. Geralmente é, exceto quando o seu programa acaba parecendo um aplicativo de smartphone e mal lhe dá o respeito de dizer: "TEM DOIS TORRENTS. TÁ BAIXANDO."
Vantagens: suporta magnet links e pode ser instalado em qualquer sistema. Desvantagem: não parece suportar DHT. Se suportar, faz isso tão mal que não conta.

Deluge:

Minha busca por clientes decentes de torrent para o Linux foi dispendiosa e acho que paguei alguns pecados com isso, mas também tive recompensa. O Deluge é bem decente.
Suporta DHT, magnet links e um simples apt-get install deluge deverá aprontá-lo para você. Detalhe técnico para quem está no Gnome: utiliza GTK. Aprovado, especialmente para quem está no Gnome.

Frostwire:

Depois que conseguiram derrubar a rede Gnutella, clientes como o FrostWire ficaram no limbo. A equipe do Frost decidiu abandonar o código gnutella e colar um engine de bittorrent na carcaça do programa. Depois amarrou tudo com fita isolante, arame e cobriu com um tapete.

E o resultado... Santo Cristo, que programa mais feio:
"Sementeando"? Que língua é essa?

Propagandas exageradamente grandes, tradução comicamente ruim, limitação de uploads e downloads que é completamente ignorada e que castiga o seu roteador desde o primeiro minuto... tenho poucas coisas boas para dizer desse programa, exceto que suporta DHT e magnets, e é multiplataforma. Mas francamente, nenhuma plataforma merece isso.

KTorrent:

Para quem está no KDE4 ou pelo menos tem as bibliotecas dele instaladas, o KTorrent é um excelente programa. Completo, modular, interface decente e até bonita.

No entanto, repare no "K" na frente do nome. Significa que, se você está com os 85% dos usuários que usam o Gnome, o download do KTorrent será de 200mb porque precisa puxar todo o esqueleto do KDE4 só para abrir uma janela. E se você usa o KDE3, como eu... está ferrado. O KTorrent antigo que roda no KDE3 não suporta magnet links.

Recomendado para quem pode, e os que podem são a minoria. Triste!

qBittorrent:

Ah, além do Deluge, o qBittorrent é um suspiro de alívio. Faz tudo que um cliente moderno de torrent precisa fazer, suporta DHT e magnets, e utiliza o QT ao invés do GTK.

Para os que já pularam para o último parágrafo só para saber quais são as recomendações finais, aqui está o veredito: Deluge e qBittorrent, com leve preferência pelo último. Feliz download a todos!

sábado, 12 de maio de 2012

Dica Rápida: Timer de Desligamento

Aviso: dica de console, gente. Mas é simples!

Quer sair no fim de semana, mas deixou downloads rodando e não quer voltar para casa só para fazer o desligamento do computador?

Simples, basta deixar um terminal aberto e rodar o seguinte comando antes de sair:
sleep 2h;shutdown -h now
De acordo com o exemplo acima, após a espera de duas horas ele executa o comando que segue após o ponto-e-vírgula. No caso, o shutdown.

O comando "sleep" espera por x segundos, mas se você pode seguir o número de "s" para indicar segundos, "m" para minutos, "h" para horas ou "d" para dias.

Também combina muito bem trocando-se o shutdown por um killall, se o que você quer fazer é apenas desligar os torrents, por exemplo:
sleep 7200;killall ktorrent
Atualização: seguindo comentário muito oportuno do Fábio Utzig (obrigado, Fábio!), você também pode especificar o número de minutos diretamente no comando shutdown.

Segundo as instruções do --help, para desligar em dez minutos:
shutdown -h 10
Você também pode usar o formato hora:minuto, mas o shutdown não é muito brilhante para calcular assim. Usando doze horas, por exemplo, o parâmetro muda:
root@aroid-desktop:~# shutdown -h 12:00


Espalhar mensagem de aroid@aroid-desktop
    (/dev/pts/0) em 21:14 ...


The system is going down for halt in 886 minutes!
886 minutos? Ops. Isso dá 14,7 horas. De onde veio isso?

O programa resolveu agendar para as 12:00, ao invés de contar doze horas em regressiva. Melhor pegar a calculadora e calcular horas x 60, então:
root@aroid-desktop:~# shutdown -h 720
Espalhar mensagem de aroid@aroid-desktop
    (/dev/pts/0) em 21:19 ...


The system is going down for halt in 720 minutes!
Pronto!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Tire o máximo do Grooveshark (enquanto ainda pode!)

Recentemente fui apresentado ao Grooveshark por minha amiga Amanda K.

Para quem não conhece, é um gigantesco repositório de músicas que permite ouvir streaming ilimitado e montar qualquer playlist de sua preferência.

Usuários de smartphone precisarão do app (que só tem pra Android) ou do plugin Flash (que só tem pra Android). Agradecimentos aos queridos FDPs das gravadoras por tirarem o app do iPhone.

A maior vantagem do site é a vasta coleção de músicas: busquei desde o mais popular até o mais esdrúxulo (embora os dois coincidam muito às vezes) e encontrei quase tudo lá. O site atualmente não é aprovado pela indústria fonográfica, o que é uma forma bem eloquente de dizer que o site é ótimo.

Infelizmente, o Grooveshark não permite download. Para quem quer ouvir músicas offline, isso é um inconveniente. Há duas maneiras de contornar isso: para quem tem Android, tem o app extra-oficial Dood's Music Streamer, que permite guardar qualquer faixa no cartão de memória.

Para quem está no desktop, tem o Groove Shredder para Firefox. Isso mesmo, plugin multiplataforma.

Clique aqui para salvar a música que estiver tocando. Só isso.


Graças às atualizações frenéticas que fizeram o Firefox pular da versão 2.5 para 9.0 em apenas seis meses, o plugin disponível no site provavelmente é antigo. Mesmo assim, há um link nos comentários da extensão que aponta para uma versão recente.

Recomendo aproveitar logo, porque o artigo da Wikipédia sobre o site diz que "em 2012, o Grooveshark está sendo processado por todas as grandes companhias fonográficas". Que surpresa.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Um LiveCD Bom Demais Para Guardar em Segredo

Antes mesmo de chegar ao final deste post, grave uma cópia do Parted Magic, anote o endereço do meu blog no CD, e guarde-o em local fresco e longe da ação direta do sol. Depois, espere  por tempo indeterminado pela ação garantida da Lei de Murphy sob seus HDs, arquivos ou sistema operacional.image
Todos nós perdemos arquivos alguma vez; dura lex Murphy, sed lex Murphy. Mas felizmente para você, a sua perda será menor e a restauração bem mais fácil, graças àquele CD que pedi que você guardasse.
O endereço do meu blog anotado no CD será apenas para você ter a oportunidade de me postar um comentário emocionado dizendo como eu salvei o seu emprego, relacionamento e/ou sanidade.

Parted Magic: <http://partedmagic.com>
Quem já usou o PowerQuest Partition Magic para gerenciar suas partições, ou o OnTrack Easy Recovery para recuperar dados de uma partição perdida, ou o Symantec Ghost para clonar discos? E tudo com cópia pirata? :)

O Parted Magic é um liveCD que faz tudo isso com software sério e livre. Já uso o GParted no lugar do Partition Magic há anos, tanto porque o GParted já está maduro e confiável, quanto pelo fato de ele suportar muito mais formatos de partições.
 image Depois de reparticionar um HD sem backup pela octagésima vez, comecei a perder um pouco do medo.

Este CD se copia inteiro para a memória RAM e se ejeta do drive após iniciar, liberando o gravador para qualquer recuperação de emergência. Além disso, suporta rede Ethernet, wi-fi e até inclui o Firefox, para os casos de uma busca necessária no Google.

Dentre as dezenas de programas úteis, estão um verificador de disco que faz a melhor consulta do SMART em HDs que eu já vi, o TestDisk para recuperar partições, o PhotoRec para recuperar arquivos, e até um programa para redefinir senha perdida de administrador do seu XP.



Junte tudo isso com suporte natural a armazenamento USB e reconhecimento de todos os filesystems famosos, e você agora tem o melhor recuperador de emergência que cabe em um CD. Eu sempre usei o Knoppix, mas o Parted Magic consegue ter todo o essencial em menos de 200Mb.

Recomendo, inclusive para usuários de Windows. No dia em que seu sistema não entrar e você precisar passar suas fotos e documentos para um pendrive antes de reinstalar tudo, o Parted Magic será o seu novo melhor amigo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Protegendo Arquivos Contra Apagamento

Dica rápida.

Há momentos em que você precisa proteger um arquivo contra remoção por qualquer usuário... até mesmo o root.

Para isso, use o comando chattr:
[root@servidor ~]# chattr +i imortal.txt
A partir de agora, o arquivo imortal.txt está protegido contra  remoção, modificação ou adição de dados. Qualquer tentativa termina em erro, o que ajuda na hora de testar scripts potencialmente destrutivos:
[root@servidor ~]# rm -f imortal.txt
rm: cannot remove `imortal.txt': Operation not permitted
Para restaurar a dignidade do root, faça assim:
[root@servidor ~]# chattr -i imortal.txt
 Até a próxima!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

BTRFS, seu novo amigo

Desde que comecei a usar o Linux de verdade, nunca me aventurei com sistemas de arquivo não-tradicionais. Usava o ext2 como padrão, e FAT32 para compartilhar com o Windows (inclusive o World of Warcraft). Com o tempo, passei para o ext3 e ext4, compartilhando NTFS com o Windows. Nunca arrisquei meus arquivos com experimentos, e nunca quebrei a cara.

Houve uma época em que parecia que o sistema ReiserFS seria o novo padrão no Linux, mas aí o criador Hans Reiser resolveu matar a mulher. Com isso, para a minha completa falta de surpresa, o projeto ficou meio abandonado desde que ele se mudou para a cadeia.

Por quê, Hans?

Avançando o relógio para o presente: a Oracle resolveu meter as mãos na massa e está desenvolvendo o btrfs, que significa "b-tree file system" ou "beterraba file system" para os íntimos. Para os nerds, o grande atrativo do btrfs é o uso de compactação zlib individual para cada bloco de arquivo. Para os leigos, significa isso: gravação mais veloz, leitura ainda mais veloz, e cerca de 40% de espaço a mais na sua partição.

(Detalhe: o btrfs ainda não está pronto. Por enquanto, não há garantias de estabilidade ou de recuperação de qualquer arquivo perdido nele. Sim, é arriscado. Mas se você tem uma partição sobrando, pode fazer como eu e brincar com ele. Mas repito: nada de muito sério por enquanto.)

O btrfs já é uma opção no Ubuntu pelo menos desde a versão 10.04, e possivelmente antes disso também. No entanto, quanto mais recente for a sua versão, maiores serão as suas chances de ser feliz.

Para baixar os utilitários do sistema, dê um...

sudo apt-get install btrfs-tools gparted

...ou baixe os pacotes btrfs-tools e gparted pelo seu gerenciador de pacotes favorito.

A partir daí, o gparted lhe dará a opção de formatar uma partição em btrfs. Você pode fazer isso pelo mkfs.btrfs no console, se tiver tanta testosterona assim. Então você monta a partição com um parâmetro especial. Por exemplo, se a partição for a /dev/sda1, o comando fica:

mount -o compress /dev/sda1 /media/sda1

Experimente fazer alguns testes. Copie arquivos para a sua nova partição para avaliar a velocidade e o espaço economizado. Recomendo copiar a pasta /usr para lá e dar um df para ver a compactação em ação.

Agora é só continuar brincando e aguardar até o lançamento iminente da versão final.

domingo, 3 de julho de 2011

Mais Brinquedos em HTML 5

Avanços gráficos como WebGL e Canvas na especificação HTML 5 estão tornando os navegadores cada vez mais dinâmicos e cada vez mais independentes. Hoje, finalmente, já é possível rodar jogos e tocar vídeos sem o auxílio de qualquer plugin, principalmente o Adobe Flash.

Estamos vendo os primeiros frutos surgirem nos navegadores mais recentes. Por exemplo, o site do Fórum Internacional do Software Livre já disponibiliza vídeos online sem Flash: (Obrigado, Jesiel!)
Tudo em Javascript e HTML 5, sem Flash(!). Por enquanto, somente suportado no Firefox 4 e 5.

Se você é como eu, deve ser uma das últimas pessoas no mundo que jogaram Angry Birds. O jogo fez sua fama no iPhone, e ampliou o sucesso posteriormente no Android, iPad e Windows. Gosto bastante do joguinho, mas não entro com muita frequência no Windows e fui deixando-o de lado.

Eis que surge Angry Birds para o Chrome. Gratuito, multiplataforma, e com mais níveis e efeitos sonoros do que a versão nativa do Windows.
(No banner da esquerda: "Curta o calor com chinelos dos Angry Birds!" Obviamente, o público-alvo não é do Rio Grande do Sul nesta época do ano.)

O jogo inteiro está disponível gratuitamente pelo Chrome, até para baixar e jogar offline. Acredito que a intenção principal é a de promover o uso da tecnologia WebGL (Chrome e Firefox), mas com típica benevolência do Google, o jogo também pode utilizar o Canvas para quem acessa pelo Opera ou IE 9.

Boa diversão!