quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Fanatismo, agora em versão Windows

Recebi um link recente de um artigo do Meio Bit que trata da "morte" do Sharp Zaurus, um PDA interessante que roda Linux. Antes de assassiná-lo com um inadvertido golpe de luta-livre em que quebrei sua touch-screen com o cotovelo, passamos bons momentos juntos.

Li tantos livros nele que deve haver alguma floresta, em algum lugar, em que centenas de árvores dão as mãos (galhos?) e compõem lindas canções em minha homenagem. Lia na cama sem precisar me preocupar em apagar a luz. Fazia minhas consultas rápidas no Google ou Wikipedia por wi-fi no Opera com seu modo "small-screen" (a segunda melhor alternativa à genialidade do Safari no iPod Touch), ouvia streams no XMMS, trocava mensagens no Gaim mais elegantemente do que pelo iPod.. sinto falta do Zaurus.

Comprei um PDA que roda Linux por algo mais tangível do que fanatismo irracional; sua biblioteca de programas não era invejável mas certamente competente. E o melhor de tudo: média de um reset a cada duas semanas.

Possuo todos os PDAs mencionados no artigo: Palm, Dell Axim, Zaurus e iPod Touch. Dentre todos, a escolha favorita do autor do referido texto é justamente o Axim e seu Windows CE, que requer mais resets em um dia do que todos os outros PDAs juntos. Em um mês.

Com a freqüência com que a expressão "freetard" recorreu no texto, sou obrigado a tentar entender que há algum motivo real para tanta raiva. Mas se o Zaurus tem méritos reais sob o Axim (talvez, exceto, nos minutos diários em que o Axim não está travado), o que faz do Zaurus uma ferramenta para "freetards"?

"Freetard" é uma união das palavras "free" com "retard". É a maneira que todas as crianças adultas que bebem cerveja utilizam para dar uma alfinetada sarcástica e sofisticada em quem defende o Software Livre. É hilário como usar "Bill Gay". Toma essa, Microsoft! Todos os colegas da creche rolam de rir quando uso essa expressão!

Proponho uma utilização mais apropriada à expressão: "freetard" serve mais para quem defende os erros grotescos e/ou mal-intencionados da empresa mais rica do mundo. E fazem isso de graça.

Percebi, então, que hoje a turma do Windows pode bradar que tem em suas mãos tudo que o Linux oferece.

Finalmente, a comunidade Windows também pode contar com sua própria massa de xiitas, com a sofisticação ingênua de um garoto de 11 anos fumando cigarro e recitando orgulhosamente um farto repertório de insultos pré-escolares.

Bem-vindos ao Clubinho do Xiita! Passem horas divertidas jogando Mortal Kombat (ou qualquer outro jogo de adulto com muito sangue) e criando seus adjetivos geniais.

Acompanharei-os do lado de fora.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Linux vs. Usuário Final, parte 2.1 - "Usabilidade"

Sim, "usabilidade" é um neologismo. Mas é um ótimo neologismo e farei uso dele sem peso na consciência. Aliás, não entendo essa discriminação com neologismos: se eu mantivesse rigidez lingüística de 20 séculos para cá, estaria escrevendo em latim agora. Cum Latine nescias, nolo manus meas in te maculare. Deo gratias pro Unicode.

No post passado, comentei sobre fustrações freqüentes com o Linux durante minha jornada, apesar de o Linux ser o meu sistema favorito... com larga vantagem sobre o Windows. Tomarei um caminho pouco popular agora e entrarei em detalhes maiores sobre as frustrações atuais.

Antes de me chamar de "advogado do diabo", afirmo que não estou defendendo nenhum sistema, muito menos o Windows; até este momento, ele ainda é o sistema operacional mais caro, menos seguro, menos estável e apesar de tudo isso, mantido pela empresa de software mais rica do mundo. Sendo assim, qualquer desvantagem do Windows sobre qualquer outro sistema é um fracasso inadmissível. Qualquer vantagem do Windows sobre outro sistema é o mínimo esperado.

No entanto, não existe sistema perfeito (embora não tenha experimentado o MacOS X ainda) e só porque uso Linux, não quer dizer que ele é um paraíso. Pode ser a minha fortaleza e pode me poupar stress e sanidade, mas quero falar de algumas coisas que ainda me irritam nele.

Maleabilidade:

Todo usuário de Linux concorda que, após a curva infernal de aprendizado, você acaba criando o seu Linux à sua imagem e semelhança. Nenhum outro sistema se aproxima do Linux nesse detalhe. Passe um ou dois anos aprendendo a configurá-lo, e o seu sistema provavelmente fará quase tudo à sua maneira. Qualquer outro sistema lhe parecerá exasperante após isso, até mesmo o Linux no desktop do seu colega ao lado. Que ele jamais trocaria pelo seu. :)

A desvantagem: se você não tem um amigo que seja entusiasta, paciente e proficiente para ajudá-lo, toda essa maleabilidade é caótica e irritante. Aonde mudo a resolução aqui? Que programa eu utilizo para baixar novos programas? Por que tenho quatro programas para gravar CDs, e preciso conferir todos eles para decidir que um deles é perfeito e três são um lixo? Por que tenho 6 media players, 5 são imprestáveis e há outros 10 que são excelentes mas estão escondidos dentre os 10.000 programas que preciso selecionar e baixar antes?

Google para a salvação, talvez? Talvez. Pelo problema do "apego" aos seus próprios desktops, a maior parte dos textos sobre Linux acaba empurrando-o involuntariamente a recomendações bizarras, motivadas por ideologias que levam anos para compreender. KDE vs. Gnome vs. console vs. fluxbox, qt vs. GTK, GPL vs. licenças proprietárias, Ubuntu vs. SUSE vs. Debian vs. Gentoo... ouvindo essa gente falando, há momentos em que você realmente acredita que precisa formar opinião sobre estas guerras ideológicas antes de experimentar qualquer coisa. E aí você desiste e volta para o Windows.

A proporção de usuários de Linux "cabeça aberta" para os ideológicos é de cerca de 1 para 10. Quando você achou a fórmula que lhe parece perfeita no Linux, as alternativas lhe parecem perda de tempo, e aquele seu amigo que insistiu para experimentar o Ubuntu pode acabar enchendo o seu saco e recusando ajudá-lo só porque você pegou um sistema que usa Gnome e ele é fã de KDE. Por aí vai.

Ao invés de ler que o K3B é, sem traço de dúvida, um dos melhores e mais amigáveis gravadores de CD para qualquer sistema, (idem sobre o AmaroK como player de áudio), alguns malucos do Gnome insistirão que você deve usar o GnomeBaker e o RhythmBox ou Exaile para não consumir mais memória carregando as bibliotecas do qt/KDE juntamente com as do GTK/Gnome.

Que diabos é um qt? É pra instalar na bicicleta ou passar no pão? Eu preciso saber para usar um maldito programa? Por que tenho que me privar de metade dos melhores programas para que meu sistema não exploda?

Pois ele não vai explodir. Você não precisa dar a mínima para isso, não vai sentir nada, e você acabou de conhecer um usuário envolvido na guerra ideológica do KDE vs. Gnome. Não se preocupe em entender o que é isso; é uma competição estúpida que não vale o seu interesse. Instale o que quiser.

(Para fãs de Gnome que estão acompanhando, digo que o oposto também vale; tem muito usuário de KDE que decide que você não precisa do Firefox ou do Gimp... tem o Konqueror e o Krita no KDE! A última versão do Kubuntu (Ubuntu com KDE pré-instalado) obriga o usuário a fazer download do Firefox porque julgam o Konqueror suficiente. Prepare-se para odiar o seu segundo navegador, depois do IE. O Konqueror não é ruim, mas colocá-lo no lugar do Firefox é uma idiotice que beira a insanidade.)

Resumindo o problema: excesso de escolhas, excesso de opiniões, e opiniões fervorosas que entram no campo etéreo da política ou religião ou futebol. Muita gente cai nessa rede antes do primeiro test-drive do Linux, e sai assustada com o aparente caos das escolhas e a total falta de consenso dos próprios usuários de Linux.

Boa parte do argumento "Windows é mais fácil" tem suas raízes aí, e o argumento tem peso. De que adianta saber que o Linux pode ser até mais fácil de usar se for bem configurado, quando você sequer entende o jargão e a guerra-santa dentre os usuários que poderiam ajudá-lo?

Sem uma base de ajuda sensata, é mais viável pagar R$250 por uma cópia do Windows. Ou, melhor ainda: instalar uma versão pirata, sem atualizações de segurança, que vai trancar o seu computador assim que você se distrair e mandar atualizar sua versão ilegal nos sites da Microsoft. Que tal?

Aí você formata tudo, e repete o ciclo... porque quando você arriscou instalar o Linux, sua experiência foi pior do que isso.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Linux vs. Usuário Final: fundamentalismo

Na Informática em geral e em sistemas operacionais em particular, existem os entusiastas e os fundamentalistas. Linux é um campo fértil nas duas áreas.

Para quem observa de longe, nem sempre é fácil diferenciá-los e todos acabam quase sempre caindo na vala dos fundamentalistas. Estatisticamente, não se pode condenar a generalização; os fundamentalistas podem existir em números menores, mas fazem muito, muito mais barulho. E incomodam. E nunca estão errados. E para cada coitado que conseguem recrutar, criam 10 detratores.

Não tenho os dados do IBGE aqui na minha mesa, mas aposto que a cada 10 odiadores declarados de Linux, pelo menos 8 deles chegaram lá graças aos fundamentalistas.

E com razão. Eu sou um entusiasta declarado de Linux. É minha plataforma de desktop, de notebook, e está no meu Sharp Zaurus e meu Linksys WRT-54G. São quase 10 anos de dedicação e satisfação. Ao longo desse tempo, vários amigos intrépidos decidiram experimentar o Linux também, e a maioria continua com ele. Dentre eles, estão a minha própria mãe e minha dinâmica amiga Lukinha, que são espertas mas não são da Informática.

Sim, existe a barreira do aprendizado, as pequenas frustrações ocasionais e a vontade de persistir. Mas pergunte aos que tiveram a virtude de persistir com modesto auxílio de minha parte, e a resposta é quase sempre positiva: "valeu a pena".

Meu sucesso em livrar meus amigos das incomodações do Windows não é casual, e minha persuasão positiva tem uma explicação simples e quase contraditória: eu sei reclamar das falhas do Linux. Usuários de mente aberta percebem isso, e vários virtuosos respiram fundo e experimentam.

Eu também me frustro com o Linux, às vezes me exasperando profundamente. Entre amigos, despejo porções razoáveis de insultos macabros a programas ou programadores, mas que servem apenas como desabafo. Linux tem os seus problemas e suas excentricidades, e quem me vê reclamando, vê imparcialidade; se ao final de tudo eu ainda acho o Linux tão melhor assim, é porque as partes boas devem ser realmente muito boas. E são. Linux não é para todo mundo, mas se for para você, sorte a sua.

Já, o fundamentalista irrita profundamente. Eles entendem do assunto e você não, independente dos fatos. Já entrei em canais de chat em que tive que encarar uma manada de pirralhos com arrogância vergonhosa. Segregação impressionante; usuários de Ubuntu, Mandriva, SUSE ou Fedora eram publicamente humilhados: "volte pro Windows se você quer um sisteminha que te leve pela mão!"

Esqueça o detalhe de que eu entendia mais do que todos eles juntos: o propósito de vários desses grupos é provar que só o que eles usam ou sabem é o correto.

Novatos apareciam perguntando coisas triviais de responder mas trabalhosas de descobrir: "tem como saber quantos arquivos começam com "praia" na pasta "fotos"? Entre os berros de "vença a preguiça e pesquise no Google!", eu contribuía com o que me vinha à cabeça: soluções às vezes pouco elegantes, mas que resolviam tudo. "Tente a função de busca do Konqueror, ou dê um find fotos/ | grep -i \/praia no console." Resolvido, usuário satisfeito.

Menos eu, que era acusado de estimular os preguiçosos e abrir as portas para a escória do Windows e prejudicar a "comunidade".

Se eu já não gostasse do Linux antes de entrar nesses canais, sairia odiando o Linux. Se a própria comunidade me obriga a caçar documentos e passar horas aprendendo expressões regulares e shell quando alguém pode resolver o seu problema ocasionalmente em 10 segundos, será a última vez em que partilho companhia com esse tipo de gente. E o pior: poderia muito bem rotular as criaturas como "usuários de Linux". Temos um novo "linux-hater", criado com esmero por um bando de egoístas.

Se você nunca experimentou Linux e tem curiosidade, aqui vai uma dica muito importante: não se desestimule se tiver o azar de encontrar idiotas fundamentalistas ao procurar auxílio. Não culpe o Linux. A única culpa do Linux é ter uma base tão barulhenta e presente de egoístas arrogantes. Respire fundo e procure a "gente boa" da comunidade. São mais discretos, mas existem. :)

domingo, 15 de junho de 2008

aMSN: "Não acabou ainda"

Parece que a popularidade repentina do Emesene foi um estímulo saudável aos desenvolvedores do aMSN: este último progrediu em alguns pontos importantes na versão atual (SVN).

Dentre os vários buracos antigos tapados recentemente estão: mensagens offline enquanto invisível agora são possíveis, portas abertas para filetransfer direto realmente funcionam (e podem ser testadas no config!), voice-chat parece funcionar (embora só tenha testado loopback; devo ser o único usuário de PC no RS que possui um headset com microfone), e vários ajustes à interface principal o tornaram mais atraente.

Exemplo: qualquer mensagem inicial de algum usuário pode iniciar minimizada. O programa também fica alerta a mensagens de última hora: se alguma nova mensagem chega 1 segundo antes de você fechá-la, ele não a fecha. Ótimo, não preciso reabri-la para consultar os logs ou, pior, pedir pra repetirem a mensagem.

Nesses tempos em que o sistema de IM mais popular do mundo é uma sombra patética do que foi o ICQ em seus dias de glória, perder mensagens é algo tão normal quanto pegar vírus no Windows, mas é bom ver que alguém ainda cria soluções para os problemas que a Microsoft inventa.

Restou o legado do aMSN, que será impossível de abandonar sem reconstrui-lo do zero: o backend TCL/TK. Ele parece estranho em qualquer plataforma, e se você usa Linux e não sabe o que faz um "configure --enable-xft", esqueça. As fontes serrilhadas do aMSN poderiam fazer um fuzileiro naval chorar. Mas se você usa óculos de grau 6 pra cima, pode tentar usá-lo sem eles. Mas é mais fácil voltar para o Emesene/Gaim/Kopete/Kmess ou qualquer outra coisa feita após 1999.

Comparativo rápido de interfaces atuais: aMSN vs. Emesene:


Certo, o aMSN não parece nada mal na foto, mas a diferença negativa é mais perceptível no Windows. A foto só está assim porque passei uma hora baixando dependências, compilando, polindo e trocando as fraldas do aMSN.

Outro detalhe: no Windows, o Emesene grava seus logs separadamente em HTML, direitinho. O povo do Linux fica amarrado ao fetiche da equipe do Emesene, em usar banco SQLite para logar tudo. Se funcionasse bem, eu não estaria escrevendo isso agora. Por enquanto, não há nenhuma maneira respeitosa de extrair suas mensagens daquele banco; temos um "LogViewer.py" que permite derramar seus pobres textos laboriosamente em um TXT por copy/paste, e um "log_export.py" escondido na pasta do programa, que não faz nada.

Ah, claro, se você entende de SQL, pode fazer suas buscas e saves direto por ali. Legal! Se você for alfaiate também, ainda pode confeccionar um lindo terno para ler seus logs na frente do PC. É maravilhoso, mas só se você for alfaiate e DBA. Eu não sou nenhum dos dois, e estou ressentido com esse favorecimento do Emesene a profissionais de bancos de dados. E alfaiates. Estou no aMSN agora.

Em defesa ao Emesene: eles prometem que haverá uma função elegante de exportar mensagens no futuro. Certo. Mas enquanto isso, por que não deixar a versão do Linux no mesmo "downgrade positivo" do Windows, que simplesmente salva logs em arquivos de texto? Depois de dois meses de uso e longas sessões de chat com poucos usuários, meu Emesene ficava catatônico por 5 segundos em cada minuto, travando toda a interface nesse intervalo. Eu posso não ser alfaiate nem DBA, mas sei bem o porquê desse problema: é um arquivo .db de SQLite gordo e incapaz de lidar com seus próprios logs armazenados.

Enquanto não arrumarem isso, eu cansei. O aMSN pode ser feio, mas não interrompe os meus chats a cada minuto. Lá pela octagésima pausa, começa a irritar.

Aos que usam Windows, teclam pouco, ou não gravam suas conversas automaticamente, ainda recomendo o Emesene. O guri tem potencial. Mas admito que, agora que posso mandar minhas mensagens sob a segurança da invisibilidade, a deselegância do aMSN se torrnou bem mais tolerável.

Nada como um pouco de competição! Estamos perto de ter dois clientes de Messenger completamente satisfatórios, só separados por questão de gosto pessoal. Obrigado aos desenvolvedores destes dois programas; eu reclamo, mas uso e admiro a ambos.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Cansado do aMSN?

Respondendo à minha própria pergunta: eu estou. Tenho respeito e até admiração pelo trabalho sobrehumano de engenharia reversa que o Alvaro (aMSN vem de "Alvaro's Messenger") dedicou ao longo de muitos anos no seu clone de MSN Messenger, culminando em um clone extremamente respeitável.

Hoje, o aMSN suporta tudo que você usa e precisa no MSN: transferência de arquivo independente de portas bloqueadas ou firewalls, smileys personalizáveis, skins, plugins diversos, webcam... e até tralhas duvidosas como winks.

Mas o problema principal do aMSN está nas raízes do projeto: quando ele começou, uma das únicas opções de interface multiplataforma (ou seja, fazer um programa que rode tanto no Windows, Mac, Windows e outras plataformas sem precisar reescrever todo o programa do zero) era o famigerado script tcl/tk, que apesar de "quebrar o galho" na época, precisou de imensa criatividade, atalhos, e remendos pouco elegantes para manter o programa com um visual que superasse o "feio" e alcançasse o "meramente tolerável após 30kg de próteses e maquiagens".

Tem muita gente que usa o aMSN sem problemas. Para essas pessoas, recomendo de coração que mantenham sua escolha. Não se mexe em time que está ganhando, e apesar dos remendos e workarounds pesados para manter o visual decente do aMSN, ele ainda é mais leve do que o MSN Live, com seus 145 botões (dos quais 140 nunca serão clicados), sua área de contatos que deve medir 5x8cm de área total, o restante tomado por botões e banners. A diferença do MSN Live pro aMSN chega a vários megabytes, o que é um atestado à deselegância adiposa do cliente oficial da Microsoft.

Usava o aMSN até pouco tempo atrás, até me deparar com uma descoberta até agora pouco conhecida: o Emesene. Não ria do nome, o cliente impõe respeito. Multiplataforma (roda em Windows, MacOS X e Linux), possui todas as funções importantes, e possui a vantagem de não ter suporte a winks!

(Adendo: um lembrete benevolente do amigo Tony ressaltou um diferencial importante do Emesene: ele é o único cliente multiplataforma de MSN que permite enviar mensagens offline enquanto se está invisível. O aMSN permite apenas enviá-las quando se está online. Ironicamente, este foi o motivo que me fez procurar alternativa ao aMSN, e havia esquecido de mencionar isso neste post! Tsc, tsc.)

Screenshot obrigatório da interface Linux (descaradamente copiado dos screenshots oficiais do site):


Para a alegria de todos, a interface Windows não é apenas integrada ao visual do Windows e parece moderadamente elegante, como possui duas versões: uma instalável, e uma "independente", que é apenas um arquivo EXE que você pode colocar em seu pendrive e rodar direto, de um arquivo só, sem precisar instalar nada. Posso imaginar várias boas aplicações para isso.

Aos que sempre acharam as versões Windows de programas Open-Source feias demais para se utilizar, tenho certeza de que o Emesene não irá decepcionar. (Está certo, o aMSN recente não é nenhum Alceu Collares de peruca, mas também está longe de ser um colírio para os olhos.)

Desvantagens:

- Por enquanto, nada de webcam. Está a caminho, mas recomendo não esperar e usar o aMSN, se a pressa é grande.

- Aos usuários de Linux, uma desvantagem temporária: por algum motivo, os desenvolvedores do Emesene ficaram deslumbrados com a idéia de gravar todos os logs de conversa em um banco SQL ao invés de gravar tudo em TXT ou HTML, um arquivo por log. Para alguns isso pode ser até vantagem, pois qualquer um que queira bisbilhotar nos seus logs terá que saber a sua senha do MSN. Mas como fizeram a escolha infeliz de utilizar o SQLite para armazenar tudo, seis meses de conversa contínua irão travar o programa por 10 minutos toda vez que você quiser ver um log de conversa de um amigo.

Quem gosta de guardar todos os seus logs, como eu, pode apelar para uma solução temporária de exportar tudo para TXT de vez em quando e apagar o banco SQL (o que é chato e desnecessário), ou pode usar a versão do Windows, que grava tudo em TXT ou HTML sem problemas. [Suspiro]

Concluo que, até agora, os prós deste novo programa superam facilmente os contras, e hoje só tenho usado o Emesene. Curiosidade: é todo feito em Python, o que é um testemunho surpreendente à maturidade e elegância da linguagem.

Espero que gostem!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Instalar o IRPF2008 sem frescura

Parabéns, por mais um ano consecutivo, à Receita Federal. O Brasil continua sendo um dos únicos países do mundo a oferecer um cliente de Imposto de Renda feito em Java e que permite que usuários de Linux declarem seus impostos sem pagar para fazê-lo em um Windows arrombado.

Ou ainda, que precisem declarar seus impostos na casa de amigos com um Windows arrombado.

(Adendo: velho amigo SunMaster escreveu para apontar que Macs também rodam o IRPF-Java perfeitamente, o que nos dá mais uma opção para declarar nossos impostos sem cavalos-de-tróia ou popups de Viagra. Obrigado pelo lembrete!)

Apesar de tudo, a Receita ainda é ligeiramente sádica com os usuários de Linux:
Para instalar, é necessário adicionar
permissão de execução, por meio do comando "chmod +x
IRPF2008linuxv1.0.bin" ou conforme o Gerenciador de Janelas utilizado.

Conheço e prezo por alguns bravos novatos que tentaram seguir estas instruções, mas ainda não conheço nenhum que tenha conseguido. Com razão.

Na tentativa de ajudar os novatos, venho com uma sugestão. Ainda não é ideal (como baixar o programa e abri-lo!), mas espero que torne possível a instalação a quem precisa do programa e não tem quem possa ajudar nos próximos dias.

Seguinte: você precisa abrir uma janela de terminal. No KDE, está no menu "System", provavelmente como "Terminal Program (Konsole)". No Gnome eu não lembro, mas acredito que se possa clicar com o botão direito sob a área de trabalho e selecionar "terminal" no menu. Se não for isso, encontre-o no menu; com certeza estará lá.

Depois disso, copie o parágrafo abaixo (em verde) na íntegra:

Para o IRPF2008:
xterm -e wget http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/programas/irpf/2008/PGDIrpf2008/Java/Linux/IRPF2008linuxv1.0.bin && chmod +x ./IRPF2008linuxv1.0.bin && ./IRPF2008linuxv1.0.bin
Para o ReceitaNet Java 2008:
xterm -e wget http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/programas/receitanet/Java/ReceitanetJava2008_01linux.bin && chmod +x ReceitanetJava2008_01linux.bin && ./ReceitanetJava2008_01linux.bin
Cole o conteúdo dentro da janela do terminal, e dê ENTER. (Faça isso uma vez para cada um dos programas.) Se tudo der certo, aparecerá uma janela feia com o progresso do download, e em seguida, a janela de instalação do IRPF.

Boa sorte. Deixem qualquer dúvida nos comentários!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Konqueror com thumbnails de FLV

Alerta: não prossiga se você está feliz com seu setup. Esta minha dica é extremamente suína e pode quebrar todo o backend multimídia do seu Linux. Fiz no Dapper e Edgy, mas garanto que as dicas podem quebrar outras versões também.

Agora, se você está prestes a fazer um upgrade para uma distro mais nova e já fez seus backups... que mal há em ceder algum tempo em nome do caos e aprender algo no processo? Pense nisso. Não me culpe por nada, mas pense nisso.

Para mim, deu tão certo que ainda estou no Dapper, sem um bit fora do lugar. Estou tão confortável que nem o assédio constante do Feisty ainda me seduziu o bastante.



Gosto de ver meus vídeos, PDFs e outros documentos em forma de thumbnail, quando me convém. Na hora de procurar vídeos em um DVD cheio de arquivos do Jeremias e Star Wars Kid, ícones representando o conteúdo salvam muito tempo.

Aqui está um exemplo do meu Konqueror em modo de "ícone":



Como podem ver, posso ver miniaturas de tudo, desde PDFs, os imundos WMVs, AVIs, e até FLVs. Este último formato é a nova sensação na Internet, e já está fazendo parte de todas as nossas coleções pessoais de vídeos. Não dá mais pra ignorar.

O que fiz...? Baixei o último xine-lib e dei o tratamento completo: ./configure, make e make install. Assim mesmo, sem piedade das velharias residentes.

Antes de me chamar de louco, acompanhem o raciocínio: um apt-get remove xine-lib iria remover o Xine, xine-ui, kaffeine, kdemultimedia, kde*, nautilus*, amarok, gxine... enfim, restará apenas uma casca do que era o seu sistema. Se ainda tiver algum ícone na tela até o final, esta será a sua alegria visual até você colocar tudo de volta. Manualmente. É bom ter o emacs por perto, porque o console será seu companheiro de cela por algum tempo.

Faça como eu: bloqueie futuros updates do libxine no Dapper pelo comando "sudo echo "libxine1 hold" | dpkg --set-selections". Assim nenhum update futuro do Dapper fará downgrade no seu xine-lib.

Depois disso, dê um ls -lh no /usr/lib, /usr/local/lib, /usr/bin e /usr/local/bin e veja se tem arquivos redundantes do xine lá. Se tiver, apague os de data mais antiga (deverão ser de data bem mais antiga). Finalize com um ldconfig.

Tente visualizar seus ícones de vídeo pelo Konqueror agora. Se não deu, experimente voltar à pasta de onde você compilou o libxine, dê um make uninistall, extermine os xines e xine-libs restantes pelo /usr, e volte a dar um make install.

Ainda não estamos tocando flv. Falta um detalhe final. Carregue o kcontrol como o seu usuário padrão e siga o que está na tela abaixo. Basicamente: vá até o iten de "vídeo" e crie uma entrada para .flv. Assim você está dizendo para o Konqueror que flv faz parte da equipe. E como o seu xine-lib agora toca flv, os thumbnails deverão aparecer. Não apenas isso: o kaffeine, xine, gxine, etc, deverão tocar flv perfeitamente, com barra de progresso e tudo mais.

(Tudo isso se você já tocava vídeos pelo xine e visualizava thumbs de vídeo pelo konqueror. Caso nada disso faça sentido pra você, dê um apt-get install kdemultimedia antes de qualquer outra coisa, e veja como seus ícones ficam pelo Konqueror.)

Tem uma porção de "poréns" nessa aventura toda, e estou presumindo que quem seguiu isso até agora é aventureiro, corajoso e inconseqüente... traços admiráveis cada vez mais rarefeitos em nossa área de TI. Saudações a vocês. Mas por favor, mesmo, isso tudo é para fazer em casa. Há muito o que se aprender com isso que pode vir a salvar a sua vida no trabalho muitos anos depois, mas experimentos deste grau ficam em casa. Aos que já sabiam, desculpas pelo aviso óbvio. :)

Infelizmente não documentei TODOS os passos para ter flv tocando em meu sistema, então preparem-se para algumas inconsistências no caminho. Apenas os mais experientes devem experimentar. A intenção disso tudo era compartilhar a possibilidade de se fazer isso confortavelmente, aos que estão dispostos.

Estarei por aqui para ajudar nas dúvidas que surgirem; basta deixá-las nos comments. Último aviso aos distraídos: se você não está disposto a perder/desconfigurar nada, pule este post. Quod scripsi, scripsi. Comentários chorões de "você arruinou a minha vida/sistema/razão de viver/etc", serão apagados. Com um sorriso.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Editores de texto simples (e alguns parentes)

Quando comecei a usar Linux há quase dez anos atrás, minha maior incomodação não era com os winmodems ou drivers de vídeo e som. Resolvi tudo isso na primeira semana, comprando um modem US Robotics externo, uma 3DFX Voodoo 3 e comprando um driver de som pela opensound.org, para o meu chipset esquisito.

Isso, meus amigos, representa a minha determinação em usar o Linux de verdade a partir daquele momento.

Também não me incomodava tanto o fato de que a dominância do Internet Explorer estava transformando a Internet em uma fossa, e aos usuários de Linux restava apenas um Netscape Navigator decadente e tão feio que fazia crianças chorarem. Eu mesmo chorava, às vezes. Me agarrei ao Opera na época, que era apenas uma criança valente e não o navegador quase impecável de hoje.

O meu maior problema era encontrar um simples editor de textos. Minhas demandas não eram grandes; aliás, eram o oposto. Eu não queria abrir o StarOffice para digitar um texto de 5 linhas. O vi, embora eu goste dele hoje, requeria muito malabarismo para um editor. Aonde estavam os equivalentes ao Notepad do Windows?

O Kedit não tinha fluxo de texto de acordo com o tamanho da janela. Era fixado em xx colunas, e gravava parágrafos maiores quebrados naquele limite. Idem Kwrite. Acabei usando um editor feito em tcl/tk, com fontes serrilhadas e tortas, mas que servia como "notepad de pobre". Passei um ano fazendo isso até me acostumar com o vi, e mais tarde o kwrite passou a suportar a função complexa de "word-wrap".

É por ter vivido esta experiência pouco digna que venho compartilhar alguns editores de texto para Linux que fazem bem o seu serviço. Descreverei-os em lista, rapidamente. Screenshots para editores de texto não vale a pena. :)
  • Leafpad: editor pequeno e rápido feito em GTK. Faz tudo que o Notepad faz, além de ter "auto-indent", numeração de linhas e permite gravar o texto com finais de parágrafo estilo Windows ou Linux. Um dos meus favoritos.

  • Notepad: sim, a equipe do Wine criou este editor como brinde, que vem junto com a instalação. Basta digitar "notepad" no console e você tem um clone praticamente perfeito.

  • Kwrite: ótimo editor de textos com coloração por sintaxe. Para pequenos scripts em BASH, por exemplo, é perfeito.

  • Gedit: versão Gnome do Kwrite. Simples e direto, uma boa opção para quem está no Gnome e não quer carregar nada do KDE para economizar memória.

  • Scite: este quase passa para o lado dos mais complexos. Editor de textos com coloração por sintaxe, busca por expressões regulares, scripts, e permite exportar para formatos como PDF, HTML, RTF ou LaTeX. É um dos favoritos dos programadores em geral, para o cotidiano.
Há várias outras opções mais complexas, como o Nvu, Kompozer ou Quanta Plus para editar HTML, ou o Texmacs, um editor de typesetting para formatação complexa e precisa, com um grande número de fãs.

Todos estes programas são OSS e estão disponíveis livremente. Se pelo menos um destes editores lhes forem desconhecidos e agradarem, a missão deste post estará cumprida. Por curiosidade, a minha mais recente descoberta, e a mais utilizada, é a do Leafpad, o editor minúsculo...

Limpe seus discos gordos com o kdirstat

Tenho uma lista de programas que classifico como: "programas que você precisa, só não sabe ainda". Um destes programas é o kdirstat, que vem com praticamente todas as distribuições do Linux há muitos anos.

Obrigatoriamente puxando o saco do Ubuntu e Debian: baixe-o pelo apt-get install kdirstat.

Quanto maior a capacidade de nossos HDs, maior a dificuldade de encontrar o que limpar. É aí que o kdirstat entra. Ele varre uma pasta ou disco inteiro, classifica todas as pastas em ordem decrescente de tamanho, e cria um gráfico em que cada bloco representa um arquivo.

Parece complicado, mas é facílimo e intuitivo. Aqui está um dos meus discos, depois da avaliação do kdirstat:



Está vendo aqueles quadrados e retângulos coloridos na parte de baixo? Cada um representa um arquivo, então o primeiro passo é sair clicando nos maiores para saber o que são.

O quadrado roxo, grande, no canto superior esquerdo, é um datafile do meu World of Warcraft. Esse fica. Vou clicando mais, e encontro um candidato a eliminação:



Essa foi fácil! Aquele bloco azul marcado na parte inferior era nada menos que um txt de 2Gb, que estava usando para testes. Já apaguei o arquivo direto do kdirstat.

Minha experiência com o programa revela que, em 90% dos casos, encontro velharias esquecidas que posso apagar ou mover para DVD. Já foram incontáveis horas de limpeza economizadas com esta conveniência.

Como sei que usuário de Windows também tem seus arquivos para manter e também sofre, ofereço um consolo: TreeSize Free. Não mostra gráficos, mas classifica as pastas por tamanho e certamente é uma grande ajuda. E é freeware. :)

domingo, 23 de março de 2008

Firefox no Linux sem o requester bizarro do GTK/Gnome

Sou um cara do KDE. Uso o Kubuntu com orgulho. Preemptivamente, declaro que:
  • Respeito o Gnome e não me importaria [muito] de usar apenas ele;
  • Acho o Miguel de Icaza um programador genial, mesmo apesar de sua inclinação perigosa para projetos da MS;
  • Tento usar e gostar do Gnome a cada nova versão que sai, e um dia deverei conseguir.
Desde o Red Hat 8, que começou a fase de "integração visual" entre KDE e Gnome, os usuários menos atentos (ou que não querem saber destes detalhes sórdidos) sequer sabem diferenciar o que vem do Gnome/GTK ou KDE/Qt na maioria dos casos. Isso é ótimo. No entanto, pequenas diferenças de funcionalidade entre os ambientes surgem de vez em quando e atrapalham a experiência no Linux.

Por tempo demais, faltou drag-and-drop decente entre Qt e GTK. Queria arrastar uma imagem do Konqueror para uma janela do Gimp? Ha ha, só "Open File" pra você, preguiçoso. Arrastar um arquivo do Nautilus para o licq para enviar o arquivo? Não! Está louco?! Use o Konqueror para isso! (Esqueça que Konqueror e Nautilus são ambos gerenciadores de arquivo e fazem essencialmente a mesma coisa.) Eram duas rodas reinventadas, que se odiavam.

Apesar das melhorias, ainda há alguns espinhos. Screenshots copiadas do ksnapshot para o clipboard só podem ser coladas dentro do kmail ou kolourpaint. Os outros 97% que usam o Gimp ou Thunderbird ficam gravando em disco antes. Ouço usuários de Windows rindo dessa patetice, com razão. Depois eles páram de rir e vão correndo fechar os popups de pessoas nuas que o IE apresenta sem pedir. Os nossos clipboards inconsistentes podem não envolver ofertas de Viagra ou imagens esporádicas de pessoas sem roupa, mas são motivos de risada, sim. O Windows já resolveu esse problema do clipboard há mais de dez anos.

Uma pedra que venho carregando em meu sapato há anos no Linux é o fato de o Firefox usar file requesters do GTK. Pode não parecer grande coisa, mas até agora os requesters do GTK são tão irritantes que ainda penso que foram piada de alguém.

Estou falando desta criatura aqui:


Cadê a barra de endereço? Não tem. Ah, você tem que digitar CTRL+L para que ela apareça. Alguns novatos ao Linux já fazem cara feia desde já, mas eu persisto. Só que, na hora de digitar o endereço que você procura, ele usa o autocompletar mais incompetente desde que tentei criar uma parecida em BASIC, aos doze anos de idade.

A aberração trabalha assim: vai completando o que você digita imediatamente, sem apagar o que você continua digitando! Procurando abrir um PDF pelo "acroread" usando a barra de endereço, recebo erros como "Could not find '/usr/bin//in/acroreadad'. Tento de novo: "Could not find '/usr/bin/acror'". O autocompletar dele mostra até o arquivo completo, mas se você dá enter, ele procura só até onde você digitou.

Se você ainda não está insultado até agora, o requester ainda reserva uma surpresa aos pacientes: quando você encara esta sessão de tentativa-e-erro e finalmente acerta o que o requester quer que você digite, ao dar enter ele passa a ler todo o conteúdo do /usr/bin inteiro. Inteiro. Durante os dois minutos de espera desnecessária, procure não lembrar que o motivo pelo qual você digitou aquele CTRL+L e brigou com o localizador foi porque você já sabia exatamente aonde se encontrava o arquivo que procurava.

Idéia estúpida? Não, só o Dalai Lama chamaria isso de "estúpido", porque ele tem várias décadas de meditação e autocontrole, e consegue medir suas palavras. Eu, no entanto, me resigno com dezenas de expletivos que considero adequados, mas que deixariam um estivador com vergonha.

Neste feriado de Páscoa, encontrei duas saídas para esta incomodação de muitos anos. Há duas formas de forçar o Firefox do Linux usar o requester do KDE. Uma delas usa um requester antigo e simples, mas que não ofende o seu intelecto quando você quer apenas pegar um arquivo. A outra é um hack mais hardcore, mas que usa o requester atual e me deixou mais satisfeito.

Para o primeiro caso, a mudança é simples. Entre no Firefox e vá no "about:config" da barra de endereços. Mude a opção "ui.allow_platform_file_picker" para "false", e dê um "Abrir arquivo" novamente. O novo requester será este:



Melhorou. Se já estiver satisfeito, pare por aqui. O requester novo requer a compilação do kgtk_wrapper, e pode dar mais trabalho do que você precisa. Eu quis fazer, porque é Páscoa e eu tive tempo.

Visite este site e pegue o Source do Kgtk. Descompacte para a pasta de sua preferência e entre nela. Para usuários do Dapper, como eu, prossiga assim como root:
apt-get install kde-devel
mkdir build3
cd build3
cmake .. -DCMAKE_INSTALL_PREFIX=/usr
make
make install
Se nada explodir, você agora tem um programa chamado "kgtk-wrapper", que obriga qualquer programa GTK a usar os requesters do KDE. Funciona bem com vários programas, mas só me importei em usar com o Firefox até agora. Passe a rodar o Firefox precedendo o comando do wrapper antes: kgtk_wrapper firefox. Seus novos requesters deverão ser assim:



Missão cumprida para mim. Testei o wrapper com alguns primos do Firefox, como o IceCat e outros programas GTK como o avidemux, e deu tudo certo. Lembre-se, o wrapper não funciona com tudo. Mas só por me poupar do filereq GTK do Firefox já traz a alegria de que preciso.

Mais uma customização Frankenstein para o meu Dapper. Agora que a iminente versão LTS vai ser long-term apenas para o Gnome e o Kubuntu será short-term suportando o KDE3.5 e o KDE4, acho que vou esperar um pouco mais com a minha distro.

sábado, 22 de março de 2008

Compiz + ATI no Gutsy

Este link vem por cortesia de meu amigo Matias Leidemer, com o qual passamos horas divertidas tentando fazer o seu chipset ATI fazer o que deveria no seu notebook:

http://wiki.cchtml.com/index.php/Ubuntu_Gutsy_Installation_Guide

Na época era uma revisão novíssima de um chipset onboard, e não havia suporte 3D algum pelo Linux. Nós tentamos fazer funcionar. De verdade. Não estávamos pedindo muito... apenas queríamos que funcionasse.

A nova revisão dos drivers Linux lançada pela ATI ostenta algumas melhorias. Uso uma GeForce aqui, mas recomendo aos guerreiros que desistiram de fazer suas ATIs funcionar em 3D há alguns meses atrás, que experimentem este link.

Obs: persistência e paciência necessária. Mas e daí... nós não estamos no Linux? ;)

Abraços, Matias, e obrigado pela dica!

Programas de Windows rodando no Linux - World of Warcraft

Dual-boot com Windows não é pecado.

Tenho o Windows 2000 em dual-boot em casa para situações de desespero, mas estas situações têm se tornado tão raras que a minha média é de um boot no Windows a cada 3 ou 4 meses. Tudo que eu preciso eu faço no Linux, e várias delas eu nem poderia fazer no Windows.

De vez em quando, no entanto, é necessário sair do Linux para acomodar a insistência de empresas que só oferecem seus programas em Win ou Mac. É a vida.

Quem trabalha com Photoshop ou gosta de jogos recentes está praticamente amarrado ao Windows, e Linux é opção inviável. Ainda assim, alguns entusiastas de Linux têm a sorte de adaptar seus programas especiais e minimizar os reboots.

Minha necessidade é pouco nobre, mas me frustrava com os reboots: o jogo World of Warcraft. Já existe opção para rodar o WoW pelo Linux através do Crossover Office ou Cedega, mas ainda prefiro os reboots do que pagar por um Wine modificado.

Resolvi meu problema pelo Wine atual (free) e alterando um config .wtf do jogo. Agora rodo WoW direto do meu Dapper sem reboots, com suporte completo a voice-chat, e com features que o Direct3D não me oferece no Windows, como lighting effects. Nada mal!

É provável que você já tenha o WoW instalado em alguma partição do Windows. Pode deixá-la lá, desde que possua permissão de gravação lá dentro. Com estas sugestões, será possível rodar o WoW tanto pelo Win quanto pelo Lin.

No Dapper, adicionei a linha abaixo no /etc/apt/sources.list para pegar o Wine mais recente no repositório:
deb http://wine.budgetdedicated.com/apt dapper main
Depois, apt-get update;apt-get install wine

Estamos quase prontos. Entre na pasta do jogo, subpasta wtf, e renomeie o Config.wtf para Config-win.wtf. Depois copie este arquivo para a pasta, e renomeie-o para Config.wtf. O arquivo que você acabou de baixar é uma versão modificada, que passa o jogo para OpenGL e modifica algumas opções visuais com tendência a dar problemas pelo Linux. No meu caso específico, meu jogo roda perfeitamente bem.

Volte à pasta raiz do jogo e rode:
wine Wow.exe
Isso deve bastar, pelo que eu me lembro. Há mudanças a se fazer pelo winecfg, como mudar o áudio de OSS para ALSA e permitir o uso de voice, mas se há algum curioso por aí, é só deixar recado nos comments. É possível fazer, roda bem, e conheço dois casos em que não apenas se roda tão bem quanto no Win, mas roda melhor. Parece papo de xiita, mas é verdade. :)

Aqui está uma screenshot. Nada impressionante, mas mostra a iluminação variável no mar que não aparece para o meu setup no Windows:



Se quiser voltar ao Windows, volte à pasta wtf e renomeie o Config-win para Config.wtf. Isso garante que o jogo volte a usar o Direct3D, exatamente como antes.

Boa sorte e aproveitem a conveniência de reiniciar menos. Comentários são bem-vindos.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Seja ainda mais feliz com seus MHTs

Complementando o post anterior sobre a extensão UnMHT para o Firefox: ela combina muito bem com a Nuke Anything Enhanced.

Interessados em salvar uma página para a posteridade podem marcar apenas o que querem salvar, selecionar a opção "Remove everything else" no menu de contexto, e salvar apenas o necessário clicando no menu "File" e marcando "Save as MHT (current state)". A página é salva com as edições temporárias do Nuke, e você acaba com um arquivo mais legível do que a página original.

Com o Nuke, também pode-se selecionar alguma tabela, bloco de texto ou banner, e marcar "Remove Selection" ou "Remove this object" no menu. Extensão perfeita.

Caso você tenha removido material demais, um simples reload recarrega a página original.

sábado, 1 de março de 2008

Conversor de capítulos de DVD para MP3

Este script aqui é velho e feio, mas substitui quase qualquer software do tipo e faz o que algum shareware de Windows de $30 cobra para fazer pior.

#!/bin/bash
# Conversor - converte faixas de audio de DVD para MP3
# Requer mplayer e lame
# Raphael Kiekow Hickenbick - feito em 2006

#Definido range com seq -w para garantir que numeros de menos de 3 chars sejam prefixados com 0
for X in `seq -w $1 $2`
do
        if [ $X -gt "0" ]
        then
        mplayer dvd:// -hardframedrop -chapter $X-$X -vc dummy -vo null -ao pcm:file=faixa$X.wav
        lame -V5 faixa$X.wav
        rm faixa$X.wav
        mv faixa$X.wav.mp3 faixa$X.mp3
        fi
done

Fácil de usar: monte o DVD no seu drive, e rode "conversor <faixa inicial> <faixa final>". Colem o script acima em algum editor de textos, salvem como "conversor", dêem um chmod +x. Para instalar permanentemente, dê um mv conversor /usr/bin .

Exemplo, com o conversor instalado no /usr/bin:
Com o DVD montado na unidade, recomendo fazer assim:

mkdir mp3-dvd (se a pasta já não existe)
cd mp3-dvd
conversor 2 25

Com isso, as faixas 2 até a 25 do DVD serão convertidas para MP3 dentro da pasta mp3-dvd. Quem quiser maior ou menor qualidade, ajustem o parâmetro -V no comando do Lame.

Postei o script porque, curiosamente, encontrar algo que faça exatamente isso é difícil, e muita gente conhece este script como a única opção. Tá certo, eu poderia fazer um autoinstalador, usando o Kdialog c/ barras de progresso para tornar tudo praticamente gráfico, mas sinceramente, quem já acostumou com o console aprecia a simplicidade.

Espero que gostem.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Flock, a alternativa do Firefox

Depois da notícia oficial da Netscape de que abandonariam o Navigator (baseado no Firefox), também anunciaram que os usuários podem experimentar o Flock como alternativa ao Firefox.

Experimentei. Veredito: INEPTO.

Imagine baixar o Firefox, ir direto à página de Complementos e selecionar umas vinte extensões que você não quer usar e/ou nem sabe para que servem. É assim que funciona o Flock.

Tem uma top-bar de "media" em que você pode ver extratos em tempo real de conteúdo de sites emocionantes como Facebook, Photobucket e Truveo. Começamos bem!

A sidebar chamada "People" tem um metro de texto na parte de cima tentando explicar a existência desta função bizarra, e nos 4cm restantes em baixo na tela, você escolhe entre Facebook, Flickr, Twitter e YouTube. Não li a longa justificativa da parte de cima, mas devem estar pedindo desculpas por não ter o que colocar nesta barra. Quando penso em "People", penso em módulos de chat, como Google Talk e Yahoo Messenger, ou sites sociais, como MySpace e Orkut. Eles vão lá e colocam Twitter e Youtube. Melhor do que isso, só se tivessem colocado um link pro site da Perdigão.

Ainda tem a barra de "Accounts and Services", que é basicamente uma sidebar carregada com sete serviços de blog , uma pasta de compartilhamento de fotos contendo os emocionantes "Photobucket" e "Piczo", a versão em miniatura da querida pasta "people", e uma última pasta com dois sites de bookmarks que ninguém fora dos EUA sequer ouviu falar, quanto mais tem vontade de usar: "del.icio.us" e "Magnolia". Mas afirmo que esta barra será de grande utilidade a qualquer ser humano que passe cerca de 20 horas por dia postando mensagens em sete sites diferentes de blog.

Procurei algo útil. Google Bookmarks? Não. Picasaweb? Não. Mas tem o Xanga! e o Magnolia!! E o Piczo, quem poderia esquecer do Piczo!!

Só achei um link que poderia ter utilidade: o do Blogger. Ele "memoriza" a sua conta depois do login e dá até a função de "esquecer da conta". Mas o que, exatamente, esse maldito navegador está memorizando?! Não é a minha senha, porque sou obrigado a digitá-la a cada vez que entro no browser (e ele nem oferece para lembrar). Não é o meu blog, porque clicando no meu nome, ele vai para a página de login do Blogger. É um botão que não tem sequer a utilidade de um bookmark, e ocupa 1/10 da minha tela dizendo: "Blogger" orgulhosamente no título. Deveria se chamar de "Alzheimer Bar", já que não memoriza nada de importante e só se oferece para esquecer o meu nome quando eu clico nela.

Tem uma janela de "auto-post" para o blogger, que oferece as vantagens de ter menos recursos do que o poster oficial do Blogger, e tem revolucionária capacidade de linkar suas imagens do Photobucket nos blogs. Tal funcionalidade permitirá com que eu possa rapidamente anexar 40 fotos grandes em um único posting de blog, em questão de segundos! A união feliz de um site de fotos com um site de blogs... agora só falta a integração com o Google Earth para que eu possa anexar dezenas de fotos de satélite em cada post. Recomendo aos visionários do Flock uma integração com o site da Perdigão também, para que o usuário tenha o poder de anexar centenas de imagens de FRANGO em suas mensagens.

Ah, tem a sidebar de RSS, que consegue ser quase tão boa quanto o Google Reader, só que sem o armazenamento do Google Reader. Pelo menos tenho a tranqüilidade de saber que poderei utilizar um leitor RSS mais-ou-menos quando o Google falir. A equipe do Flock parece ignorar os serviços de micro-empresas como Google ou Yahoo em favor de mega-corporações que nos fornecem o... Piczo... e o Twitter.

Só não fiquei irritado com este navegador porque estou confuso e fascinado com a mistura esquizofrênica de funções inúteis que tenho em meu poder agora.

O pior de tudo é que o browser é baseado no Firefox e é Open Source, o que quer dizer que toda a equipe do Flock deve estar perambulando pelas ruas neste exato momento, sem medicação ou a atenção especial que merecem. Como navegador, o Flock é um fracasso, mas é o grito de socorro mais eloqüente que já vi de uma equipe de programadores.

any2ogg - Converta qualquer formato de áudio para Ogg Vorbis - sem frescura

Tá certo, eu sei que é só passar no Freshmeat e escolher um dentre as dezenas de opções que fazem a mesma coisa. Mas como nenhum dos programas satisfazia meus desejos excêntricos, fiz um script à moda Frankenstein que faz tudo que eu quero.

O que eu quero: converter pastas inteiras para Ogg Vorbis em poucos passos, independente do formato (MP3, AACPlus, AAC, FLAC, AVI, MPG, WAV, ad nauseum). Só largar tudo junto em uma pasta, e mandar converter.

Tenho um iRiver iFP795, hackeado por cérebros russos, que tem o privilégio de tocar Ogg Vorbis. Usa uma pilha AA que dura 15 horas por carga, tem uma entrada de Audio In que grava direto em MP3 de até 192kbps (!!), dentre outras coisas. E saiu muito barato.

Sou fã do AAC, o afamado MP4 oficial que a Apple adota, mas Vorbis é parelho em qualidade, é GPL, e não tem nenhum tipo de proteção traiçoeira que faz você pagar por músicas que algum dia você nunca mais vai conseguir abrir. Ogg Vorbis é para sempre.

(Antes que alguém me impale por falar da Santa Apple: é verdade que os AAC deles nunca deram problema. Contraste isso com os WMAs da Microsoft, com seu som metálico e incompatibilidade lendária. A penúltima versão foi chamada de "PlaysForSure" ("TocaComCerteza"), o que revelou a consciência da MS que seu formato nunca toca em lugar nenhum por mais de duas semanas. O mais patético é que o "PlaysForSure" já foi superado por outra versão do WMV, e nenhum Zune toca mais esse formato.)

O próximo formato deles terá que se chamar "ThisTimeItReallyPlaysForeverLikeMagicWePromise". Ou "LaGarantiaSoyJo".

Tá, mas de volta ao meu script. Com ele, você só precisa fazer o seguinte (pelo console, seja dito):
  • Copiar para uma pasta tudo que você quer converter para Ogg, que ficará em tamanho reduzido sem perda perceptível de qualidade. Uso qualidade 0,7 (~70kbps), o que está mais do que bom para ouvir no ônibus ou durante uma caminhada por Porto Alegre. Eu arriscaria até qualidade 0 ou -1, mas não tenho tantas músicas assim para colocar no player;
  • Cd na pasta;
  • any2ogg, rodando de onde você gravou o script
  • Confirme que você vai converter TUDO dentro desta pasta e perder os originais dentro dela;
  • Aguarde a conversão;
  • Copie seus arquivos para o player.
Detalhes: você precisará do mplayer. Claro.

Recomendo baixar a versão mais recente e compilar. Até no meu Ubuntu Dapper de dois anos de idade, foi só entrar na pasta como root, dar um ./configure --enable-gui; make; make install. Se isso for instalado por cima do mplayer que você baixou do Automatix, recomendo não remover o pacote para não quebrar o plugin do Firefox, Kaffeine, entre outros. Recomendo ser moderadamente suíno e simplesmente dar um "sudo echo "mplayer hold" | dpkg --set-selections" para garantir que nenhum update quebre seu mplayer novo.

As dicas acima também valem para o povo do Debian, que jamais vai querer segui-las. ;)

O script está aqui:


# any2ogg - Conversor de qualquer formato de áudio para Ogg Vorbis
# Requer mplayer com seus codecs. Quanto mais recente, melhor
#
# Por Raphael Kiekow Hickenbick - Fev/2008
# alpharoid@gmail.com
#
# OBS: ESTE SCRIPT APAGA COISAS. Use apenas em pastas com arquivos ja copiados para o proposito de conversao. Este script foi feito para ser util, mas use por sua conta e risco. COPIE OS ARQUIVOS ANTES DE CONVERTE-LOS. E seja feliz.

echo "CUIDADO - Este conversor apaga todos os arquivos originais nesta pasta! Prosseguir? (Somente \"s\" aceito como resposta positiva) "

read RESPOSTA

if [ "`echo "$RESPOSTA" |grep -i "s" | wc -m`" = "2" ]; then

for file in *
do
mplayer -vc null -vo null -ao pcm:fast "$file"
mv audiodump.wav "$file"
oggenc -q0.7 "$file"
rm "$file"
done

else
echo "Conversor cancelado."
fi


Aos leigos mais astutos, basta copiar o script para qualquer lugar, dar um chmod +x any2ogg, separar a sua pasta, e sair usando.

Reparem que seria facílimo adaptar este script para converter qualquer formato para AAC também. Não me oponho. Aliás, talvez até publique a adaptação na próxima oportunidade.

Façam bom uso. :)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Abrir e salvar MHT pelo Firefox, Opera ou Safari

(Edição de 11-jun-2011: no post abaixo, escrevi sobre como a idéia do formato .MHT é tão boa que não parece ter vindo da Microsoft. Aparentemente alguém da MS leu o que escrevi, e saiu correndo para mudar isso: eis que páginas em .MHT não abrem nativamente no IE7 nem IE8 sem ir nas opções e marcar "Habilitar tudo do ActiveX, meu computador fica mais bonito quando é arrombado e pestilento". A melhor maneira de manter o formato MHT vivo e saudável hoje é, ironicamente, evitando o IE.

Resumindo: para abrir e salvar MHT, usem o UnMHT no Firefox e Safari, ou usem o Opera. Nunca utilizem o Internet Explorer na presença de crianças ou animais de estimação, sem luvas de borracha ou sem autorização da ANVISA.
-- Raphael)

De todas as idéias inovadoras que o Internet Explorer trouxe para a Internet (vírus que executavam automaticamente ao se abrir páginas ou e-mails especiais, popups infinitos, spyware, extensões bizarras e intrusivas, etc), houve uma que eu admito que sempre achei boa. Mesmo.

O Internet Explorer introduziu a opção de salvar uma página como "mht", que era simplesmente um arquivo padrão MIME que continha o html e as imagens em um lugar só. Sim, eles até usaram MIME, um formato aberto, para fazer isso. Minha humilde reverência para o profissional da equipe do IE que sugeriu isso, e provavelmente foi demitido quando alguém percebeu que deveriam ter utilizado um formato proprietário, com suporte a DRM e que vencesse automaticamente a cada dois anos, obrigando a instalação de um novo IE que valorosamente convertesse os formatos antigos. Poderia se chamar "RendersHTMLForSure(R)" e a última versão requer o Windows Media Player 18, para "uma rica experiência multimídia em suas páginas salvas". (Salvas em 1998, talvez com uma gif animada e um .MID dentro.)

Gravar as páginas inteiras como .mht evitava o dilema antigo: salvar o .html em um lugar e uma pasta com as imagens em separado. Quem já gravou muitos arquivos html à moda antiga, tanto pelo IE quanto pelo Netscape, Firefox ou Safari, com certeza já se perdeu na bagunça. Quem gravava tudo isso em CD também vai lembrar quantas imagens deixavam de abrir porque a nomenclatura ISO9660 do CD-ROM mudava algo no nome dos arquivos.

Sempre tive vontade de usar o .mht, mas não queria ser castigado por isso. O único a suportar a extensão foi o IE, por muito tempo. Depois surgiu o MAF (Mozilla Archive Format), que deu acesso .mht para o Firefox e funcionou muito bem... até o autor abandonar completamente a extensão. Hoje ela não funciona nos Firefox recentes, pelo menos não sem apelarmos para hacks instáveis e desesperados. Usei esse hack até pouco tempo atrás, que era manhoso, travava e francamente já estava me irritando. Mas se alguém ainda quiser, tenho o .xpi para o Firefox 2.x.

Hoje gravo todos os meus documentos em mht graças ao mais recente navegador Opera, e também à extensão UnMHT para o Firefox. O suporte do Opera ainda é melhor, mas quem prefere o Firefox não fica sem opção. Eu gosto dos dois.
Depois de instalar o complemento UnMHT no Firefox, pode-se salvar qualquer página a partir do menu principal. Até mesmo um conjunto de abas pode ser gravado em um único arquivo, o que é mais útil do que pode parecer.

Drives criptografados no Linux e Windows

Se você ainda não usa um drive criptografado, considere-se mais miserável do que os miseráveis que nunca fazem backup. Ainda assim, tenho muita empatia pela sua condição, porque só consegui manter backups e criptografar drives com muita teimosia, garra, coragem, dedicação, vontade de vencer e de fazer justiça com as próprias mãos.

Mesmo conhecendo alguns programas que facilitam ( post anterior ), backups são ingratos. Criptografar drives, então, era só para quem conseguia o raro PGPDisk Freeware no Windows. Quem fazia no Linux precisava recorrer ao loop-aes, e aprender o processo requeria paciência, Valium e um desfibrilador. O kernel mudava os parâmetros para montar o drive de vez em quando ao longo dos anos, e suas batalha para remontar as unidades antigas eram momentos especiais que você sempre tentará esquecer com carinho.

Usei os dois por muitos anos, apesar de serem incompatíveis. O loop-aes, verdade seja dita, nunca me traiu, E depois que você d
ecorava, era fácil e rápido.

Para montar, modprobe aes; modprobe cryptoloop; /sbin/losetup -e aes256 /dev/loop1 /home/user/cryptodrive; mount /dev/loop1 /mnt/crypto

Para desmontar, umount /mnt/crypto; /sbin/losetup -d /dev/loop1

E pronto! O processo de criar
uma unidade criptografada era um pouco mais complicado, mas nada que um pouco de frustração e profanidade não resolvesse. Quem não era nerd o suficiente acabava usando o PGPDisk pelo Windows, ou comprava um cofre.

Mas agora chega, estou ficando cansado e vamos chegar direto ao parágrafo em que falo que agora está tudo resolvido, e temos uma solução que é fácil, open-source e completamente compatível entre Windows e Linux: TrueCrypt.

No site tem um cliente bem prático para o Windows, e um cliente por linha de comando bem feio e inepto para o Linux. A versão gráfica, fácil e prática do Linux você encontra na página do ScramDisk 4 Linux:



(Na verdade, o ScramDisk oferece mais opções, incluindo seu próprio método de criptografia. Mas uso apenas pelo suporte ao TrueCrypt.)

Agora vá em frente e crie seus drives seguros! Quem nunca usou está desperdiçando o potencial de salvar e-mails, chats, fotos antigas, projetos, poemas embaraçosos e quaisquer outros arquivos que não voltarão para assombrar a sua carreira política daqui a 20 anos depois de terem roubado o seu notebook.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Backups em tempo real para CD e DVD no Linux

Durante o Carnaval, eu fiz backups.

Houveram bons (e breves) tempos em que um CD-R era tudo que se precisava para um backup completo. Esse poder, infelizmente, é uma lembrança.

Em tempos de banda larga, anexos de e-mail gigantes, podcasts, fotos de 5Mb e vídeos amadores de 2Gb, nem DVD-R de camada dupla compensa mais.

Já fez backup de suas fotos nos últimos dois anos? Já teve que separá-las manualmente em pastas, controlando para que cada uma não passe de 4,4Gb, para gravar todas individualmente depois? Verificando a mídia depois de cada DVD?

Eu fiz isso e persisti, mas em intervalos cada vez maiores. Então pensei: está na hora de arrumar um programa mais simples. Quero escolher minhas pastas, dar OK e largar um DVD-RW dentro do drive. Quando este encher, ele pede outro, e assim vai, até terminar. A idéia é simples e deve haver mais de 50 programas para fazer isso no Linux. Certo?

Não.

Comecei por todo o repositório do Ubuntu, depois um pouco de Google, depois Freshmeat. Horas depois, saí com apenas dois programas adequados, ambos para console: discspan e splitpipe.

O discspan é um script de python, bem simples. Não criptografa e não compacta, só faz uma lista de arquivos, indica quantos DVDs serão necessários, e sai gravando. Bom para backup de fotos, que não compactam nada mesmo e cada foto nestes DVDs pode ser carregada diretamente.

Para as outras tarefas (backup do /home, por exemplo), a única alternativa elegante é o splitpipe. Ele recebe um tar gigante em tempo real, com compactação a gosto, e vai gravando DVDs até terminar.

Fiz alguns testes e funcionou bem. Exemplo real, lembrando que você deve saber, no mínimo, qual o nome do device do seu gravador de DVD:
# tar -c gnutella/ Documents/ Mail* *.pdf | gzip --fast | splitpipe -b 50 -s dvd -o 'growisofs -dvd-compat -Z /dev/hdd=/dev/stdin'
Você pode se aventurar e arriscar um seletor pelo kdialog, por exemplo:
# tar -c `kdialog --title "Selecione os arquivos ou pastas desejadas:" --getopenfilename $HOME --multiple` | gzip --fast | splitpipe -b 50 -s dvd -o 'growisofs -dvd-compat -Z /dev/hdd=/dev/stdin'
(Este último não foi testado. Deve causar problemas com arquivos acentuados ou com espaços ou outras coisas. Mas é só refinar. :))

O programa funciona bem, mas não é perfeito: não verifica a mídia após a gravação e se houver algum erro durante a gravação, ele pára tudo, com ou sem burn-free. Use algo como o dvdisaster para conferir as mídias depois.

Para quem tem espaço sobrando no disco e não se importa em gravar as ISOs antes, permitindo gravá-los com verificação depois, tem ainda o MondoRescue e o kdar, entre outros.

Mas estes acima eu não testei. Boa sorte. :)