segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Duelo Entre Players: AmaroK vs. Exaile

Todo mundo sabe que o universo Linux adora reinventar a roda, o tempo todo. Adora. Temos pelo menos três conjuntos de desktop completos. Temos o Gimp há anos, mas isso não impediu uma equipe inteira do KDE de dissipar esforços e criar o Krita que ninguém usa. Temos o Abiword, o KWord e o OpenOffice Writer. Um alemão criou o K3B e alguém da turma do GTK se mordeu e deu luz àquele amontoado feio e triste de bits que é o Brasero. Temos pelo menos 15 programas para mensagens instantâneas, mas nenhum deles com um conjunto completo de funcionalidades.

Era apenas questão de tempo para que o mesmo acontecesse na área do som. Afinal de contas, o povo do qt criou o AmaroK, um player de música premiado que chegou até a chamar a atenção dos leigos para o Linux. Mas o GTK não poderia ficar de fora dessa competição inútil. O resultado foi o Exaile, que tinha a ambição de ser "como o AmaroK, só que feito em GTK". Isso faz sentido: você pega um programa excelente, com anos de refinamento e interface elegante, e faz uma cópia grotesca com aquela interface inflexível e desleixada do GTK. Com isso, é só evitar carregar qualquer programa do qt no sistema, se privar de metade do que o Linux oferece de bom e... veja só! 2Mb a menos de RAM consumidos na minha máquina de 4Gb!

O Exaile ficou quase a mesma coisa do que o AmaroK, mas só se você colocasse um travesseiro na frente do monitor, fechasse os olhos bem forte e repetisse várias vezes para si mesmo: "tá igual ao AmaroK, tá igual ao AmaroK". Até o nome ficou adequado, parecendo um trocadilho com a palavra "Exile". Aquele programa era um exílio voluntário do que o Linux oferecia de melhor: um tocador de som que não encontrava equivalente nem no Windows, por mais que você quisesse torrar dinheiro para ter um.

Olhando para o Exaile, não sabia descrever exatamente o que sentia ao utilizá-lo. Era uma mistura desconfortável de pena da ingenuidade dos desenvolvedores, com raiva pela pretensão e pelo desperdício de esforços. Isso tudo para criar uma imitação mais feia e menos funcional do que o melhor player da plataforma. Ignorei aquele pobre diabo solenemente por muito tempo.

Agora, depois de mais de um ano distante do hobby da computação, tive uma lição de moral completa com uma surpresa dentro. Baixei o Ubuntu mais recente (o Lucid Loser) e fui direto ao AmaroK. O que eu vi foi decepcionante. Reconheci o Amarok de antigamente, mas a interface outrora elegante parecia ter passado pela mesma lavagem da maioria dos aplicativos do KDE4 (que optaram por reescrever seus programas do zero). No caso do AmaroK, foi uma má idéia.

Reparem em uma captura de tela do Amarok clássico (convenientemente copiado do próprio site do AmaroK), e uma captura da tela que eu encarei pessoalmente, logo abaixo:





Que ótimo, o Amarok 2 está mais feio, menos funcional, muito menos intuitivo e, na mais recente versão do Ubuntu, ainda abre o programa com isso:



(Detalhe: ele toca MP3 sim, mentiroso.)

Como comparação, o Exaile mais novo está assim:



Graças a este retrocesso fantástico do AmaroK2, o Exaile conseguiu alcançar e superar os seus objetivos. Quando usei o Exaile pela primeira vez e ri dele, não imaginava que ele seria o meu consolo quando a equipe do AmaroK perdesse o senso estético e crítico.

Vencedor do momento: Exaile.

Para os que gostam de players mais simples e com menos frescura como o Audacious ou o XMMS1 (estou ignorando o aborto do XMMS2), dou todo o apoio a vocês. Escolhi estes dois players em especial unicamente pelo suporte à rede social Last.fm. Tem outros players com esse suporte, como o RhythmBox. Mas ele é feio e esquisito e eu estou sem luvas de borracha em casa para poder testá-lo sem medo.

Áudio no Linux é um assunto abstrato. Comentários ou flamewars são sempre bem-vindos nos comentários.