terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Flock, a alternativa do Firefox

Depois da notícia oficial da Netscape de que abandonariam o Navigator (baseado no Firefox), também anunciaram que os usuários podem experimentar o Flock como alternativa ao Firefox.

Experimentei. Veredito: INEPTO.

Imagine baixar o Firefox, ir direto à página de Complementos e selecionar umas vinte extensões que você não quer usar e/ou nem sabe para que servem. É assim que funciona o Flock.

Tem uma top-bar de "media" em que você pode ver extratos em tempo real de conteúdo de sites emocionantes como Facebook, Photobucket e Truveo. Começamos bem!

A sidebar chamada "People" tem um metro de texto na parte de cima tentando explicar a existência desta função bizarra, e nos 4cm restantes em baixo na tela, você escolhe entre Facebook, Flickr, Twitter e YouTube. Não li a longa justificativa da parte de cima, mas devem estar pedindo desculpas por não ter o que colocar nesta barra. Quando penso em "People", penso em módulos de chat, como Google Talk e Yahoo Messenger, ou sites sociais, como MySpace e Orkut. Eles vão lá e colocam Twitter e Youtube. Melhor do que isso, só se tivessem colocado um link pro site da Perdigão.

Ainda tem a barra de "Accounts and Services", que é basicamente uma sidebar carregada com sete serviços de blog , uma pasta de compartilhamento de fotos contendo os emocionantes "Photobucket" e "Piczo", a versão em miniatura da querida pasta "people", e uma última pasta com dois sites de bookmarks que ninguém fora dos EUA sequer ouviu falar, quanto mais tem vontade de usar: "del.icio.us" e "Magnolia". Mas afirmo que esta barra será de grande utilidade a qualquer ser humano que passe cerca de 20 horas por dia postando mensagens em sete sites diferentes de blog.

Procurei algo útil. Google Bookmarks? Não. Picasaweb? Não. Mas tem o Xanga! e o Magnolia!! E o Piczo, quem poderia esquecer do Piczo!!

Só achei um link que poderia ter utilidade: o do Blogger. Ele "memoriza" a sua conta depois do login e dá até a função de "esquecer da conta". Mas o que, exatamente, esse maldito navegador está memorizando?! Não é a minha senha, porque sou obrigado a digitá-la a cada vez que entro no browser (e ele nem oferece para lembrar). Não é o meu blog, porque clicando no meu nome, ele vai para a página de login do Blogger. É um botão que não tem sequer a utilidade de um bookmark, e ocupa 1/10 da minha tela dizendo: "Blogger" orgulhosamente no título. Deveria se chamar de "Alzheimer Bar", já que não memoriza nada de importante e só se oferece para esquecer o meu nome quando eu clico nela.

Tem uma janela de "auto-post" para o blogger, que oferece as vantagens de ter menos recursos do que o poster oficial do Blogger, e tem revolucionária capacidade de linkar suas imagens do Photobucket nos blogs. Tal funcionalidade permitirá com que eu possa rapidamente anexar 40 fotos grandes em um único posting de blog, em questão de segundos! A união feliz de um site de fotos com um site de blogs... agora só falta a integração com o Google Earth para que eu possa anexar dezenas de fotos de satélite em cada post. Recomendo aos visionários do Flock uma integração com o site da Perdigão também, para que o usuário tenha o poder de anexar centenas de imagens de FRANGO em suas mensagens.

Ah, tem a sidebar de RSS, que consegue ser quase tão boa quanto o Google Reader, só que sem o armazenamento do Google Reader. Pelo menos tenho a tranqüilidade de saber que poderei utilizar um leitor RSS mais-ou-menos quando o Google falir. A equipe do Flock parece ignorar os serviços de micro-empresas como Google ou Yahoo em favor de mega-corporações que nos fornecem o... Piczo... e o Twitter.

Só não fiquei irritado com este navegador porque estou confuso e fascinado com a mistura esquizofrênica de funções inúteis que tenho em meu poder agora.

O pior de tudo é que o browser é baseado no Firefox e é Open Source, o que quer dizer que toda a equipe do Flock deve estar perambulando pelas ruas neste exato momento, sem medicação ou a atenção especial que merecem. Como navegador, o Flock é um fracasso, mas é o grito de socorro mais eloqüente que já vi de uma equipe de programadores.

any2ogg - Converta qualquer formato de áudio para Ogg Vorbis - sem frescura

Tá certo, eu sei que é só passar no Freshmeat e escolher um dentre as dezenas de opções que fazem a mesma coisa. Mas como nenhum dos programas satisfazia meus desejos excêntricos, fiz um script à moda Frankenstein que faz tudo que eu quero.

O que eu quero: converter pastas inteiras para Ogg Vorbis em poucos passos, independente do formato (MP3, AACPlus, AAC, FLAC, AVI, MPG, WAV, ad nauseum). Só largar tudo junto em uma pasta, e mandar converter.

Tenho um iRiver iFP795, hackeado por cérebros russos, que tem o privilégio de tocar Ogg Vorbis. Usa uma pilha AA que dura 15 horas por carga, tem uma entrada de Audio In que grava direto em MP3 de até 192kbps (!!), dentre outras coisas. E saiu muito barato.

Sou fã do AAC, o afamado MP4 oficial que a Apple adota, mas Vorbis é parelho em qualidade, é GPL, e não tem nenhum tipo de proteção traiçoeira que faz você pagar por músicas que algum dia você nunca mais vai conseguir abrir. Ogg Vorbis é para sempre.

(Antes que alguém me impale por falar da Santa Apple: é verdade que os AAC deles nunca deram problema. Contraste isso com os WMAs da Microsoft, com seu som metálico e incompatibilidade lendária. A penúltima versão foi chamada de "PlaysForSure" ("TocaComCerteza"), o que revelou a consciência da MS que seu formato nunca toca em lugar nenhum por mais de duas semanas. O mais patético é que o "PlaysForSure" já foi superado por outra versão do WMV, e nenhum Zune toca mais esse formato.)

O próximo formato deles terá que se chamar "ThisTimeItReallyPlaysForeverLikeMagicWePromise". Ou "LaGarantiaSoyJo".

Tá, mas de volta ao meu script. Com ele, você só precisa fazer o seguinte (pelo console, seja dito):
  • Copiar para uma pasta tudo que você quer converter para Ogg, que ficará em tamanho reduzido sem perda perceptível de qualidade. Uso qualidade 0,7 (~70kbps), o que está mais do que bom para ouvir no ônibus ou durante uma caminhada por Porto Alegre. Eu arriscaria até qualidade 0 ou -1, mas não tenho tantas músicas assim para colocar no player;
  • Cd na pasta;
  • any2ogg, rodando de onde você gravou o script
  • Confirme que você vai converter TUDO dentro desta pasta e perder os originais dentro dela;
  • Aguarde a conversão;
  • Copie seus arquivos para o player.
Detalhes: você precisará do mplayer. Claro.

Recomendo baixar a versão mais recente e compilar. Até no meu Ubuntu Dapper de dois anos de idade, foi só entrar na pasta como root, dar um ./configure --enable-gui; make; make install. Se isso for instalado por cima do mplayer que você baixou do Automatix, recomendo não remover o pacote para não quebrar o plugin do Firefox, Kaffeine, entre outros. Recomendo ser moderadamente suíno e simplesmente dar um "sudo echo "mplayer hold" | dpkg --set-selections" para garantir que nenhum update quebre seu mplayer novo.

As dicas acima também valem para o povo do Debian, que jamais vai querer segui-las. ;)

O script está aqui:


# any2ogg - Conversor de qualquer formato de áudio para Ogg Vorbis
# Requer mplayer com seus codecs. Quanto mais recente, melhor
#
# Por Raphael Kiekow Hickenbick - Fev/2008
# alpharoid@gmail.com
#
# OBS: ESTE SCRIPT APAGA COISAS. Use apenas em pastas com arquivos ja copiados para o proposito de conversao. Este script foi feito para ser util, mas use por sua conta e risco. COPIE OS ARQUIVOS ANTES DE CONVERTE-LOS. E seja feliz.

echo "CUIDADO - Este conversor apaga todos os arquivos originais nesta pasta! Prosseguir? (Somente \"s\" aceito como resposta positiva) "

read RESPOSTA

if [ "`echo "$RESPOSTA" |grep -i "s" | wc -m`" = "2" ]; then

for file in *
do
mplayer -vc null -vo null -ao pcm:fast "$file"
mv audiodump.wav "$file"
oggenc -q0.7 "$file"
rm "$file"
done

else
echo "Conversor cancelado."
fi


Aos leigos mais astutos, basta copiar o script para qualquer lugar, dar um chmod +x any2ogg, separar a sua pasta, e sair usando.

Reparem que seria facílimo adaptar este script para converter qualquer formato para AAC também. Não me oponho. Aliás, talvez até publique a adaptação na próxima oportunidade.

Façam bom uso. :)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Abrir e salvar MHT pelo Firefox, Opera ou Safari

(Edição de 11-jun-2011: no post abaixo, escrevi sobre como a idéia do formato .MHT é tão boa que não parece ter vindo da Microsoft. Aparentemente alguém da MS leu o que escrevi, e saiu correndo para mudar isso: eis que páginas em .MHT não abrem nativamente no IE7 nem IE8 sem ir nas opções e marcar "Habilitar tudo do ActiveX, meu computador fica mais bonito quando é arrombado e pestilento". A melhor maneira de manter o formato MHT vivo e saudável hoje é, ironicamente, evitando o IE.

Resumindo: para abrir e salvar MHT, usem o UnMHT no Firefox e Safari, ou usem o Opera. Nunca utilizem o Internet Explorer na presença de crianças ou animais de estimação, sem luvas de borracha ou sem autorização da ANVISA.
-- Raphael)

De todas as idéias inovadoras que o Internet Explorer trouxe para a Internet (vírus que executavam automaticamente ao se abrir páginas ou e-mails especiais, popups infinitos, spyware, extensões bizarras e intrusivas, etc), houve uma que eu admito que sempre achei boa. Mesmo.

O Internet Explorer introduziu a opção de salvar uma página como "mht", que era simplesmente um arquivo padrão MIME que continha o html e as imagens em um lugar só. Sim, eles até usaram MIME, um formato aberto, para fazer isso. Minha humilde reverência para o profissional da equipe do IE que sugeriu isso, e provavelmente foi demitido quando alguém percebeu que deveriam ter utilizado um formato proprietário, com suporte a DRM e que vencesse automaticamente a cada dois anos, obrigando a instalação de um novo IE que valorosamente convertesse os formatos antigos. Poderia se chamar "RendersHTMLForSure(R)" e a última versão requer o Windows Media Player 18, para "uma rica experiência multimídia em suas páginas salvas". (Salvas em 1998, talvez com uma gif animada e um .MID dentro.)

Gravar as páginas inteiras como .mht evitava o dilema antigo: salvar o .html em um lugar e uma pasta com as imagens em separado. Quem já gravou muitos arquivos html à moda antiga, tanto pelo IE quanto pelo Netscape, Firefox ou Safari, com certeza já se perdeu na bagunça. Quem gravava tudo isso em CD também vai lembrar quantas imagens deixavam de abrir porque a nomenclatura ISO9660 do CD-ROM mudava algo no nome dos arquivos.

Sempre tive vontade de usar o .mht, mas não queria ser castigado por isso. O único a suportar a extensão foi o IE, por muito tempo. Depois surgiu o MAF (Mozilla Archive Format), que deu acesso .mht para o Firefox e funcionou muito bem... até o autor abandonar completamente a extensão. Hoje ela não funciona nos Firefox recentes, pelo menos não sem apelarmos para hacks instáveis e desesperados. Usei esse hack até pouco tempo atrás, que era manhoso, travava e francamente já estava me irritando. Mas se alguém ainda quiser, tenho o .xpi para o Firefox 2.x.

Hoje gravo todos os meus documentos em mht graças ao mais recente navegador Opera, e também à extensão UnMHT para o Firefox. O suporte do Opera ainda é melhor, mas quem prefere o Firefox não fica sem opção. Eu gosto dos dois.
Depois de instalar o complemento UnMHT no Firefox, pode-se salvar qualquer página a partir do menu principal. Até mesmo um conjunto de abas pode ser gravado em um único arquivo, o que é mais útil do que pode parecer.

Drives criptografados no Linux e Windows

Se você ainda não usa um drive criptografado, considere-se mais miserável do que os miseráveis que nunca fazem backup. Ainda assim, tenho muita empatia pela sua condição, porque só consegui manter backups e criptografar drives com muita teimosia, garra, coragem, dedicação, vontade de vencer e de fazer justiça com as próprias mãos.

Mesmo conhecendo alguns programas que facilitam ( post anterior ), backups são ingratos. Criptografar drives, então, era só para quem conseguia o raro PGPDisk Freeware no Windows. Quem fazia no Linux precisava recorrer ao loop-aes, e aprender o processo requeria paciência, Valium e um desfibrilador. O kernel mudava os parâmetros para montar o drive de vez em quando ao longo dos anos, e suas batalha para remontar as unidades antigas eram momentos especiais que você sempre tentará esquecer com carinho.

Usei os dois por muitos anos, apesar de serem incompatíveis. O loop-aes, verdade seja dita, nunca me traiu, E depois que você d
ecorava, era fácil e rápido.

Para montar, modprobe aes; modprobe cryptoloop; /sbin/losetup -e aes256 /dev/loop1 /home/user/cryptodrive; mount /dev/loop1 /mnt/crypto

Para desmontar, umount /mnt/crypto; /sbin/losetup -d /dev/loop1

E pronto! O processo de criar
uma unidade criptografada era um pouco mais complicado, mas nada que um pouco de frustração e profanidade não resolvesse. Quem não era nerd o suficiente acabava usando o PGPDisk pelo Windows, ou comprava um cofre.

Mas agora chega, estou ficando cansado e vamos chegar direto ao parágrafo em que falo que agora está tudo resolvido, e temos uma solução que é fácil, open-source e completamente compatível entre Windows e Linux: TrueCrypt.

No site tem um cliente bem prático para o Windows, e um cliente por linha de comando bem feio e inepto para o Linux. A versão gráfica, fácil e prática do Linux você encontra na página do ScramDisk 4 Linux:



(Na verdade, o ScramDisk oferece mais opções, incluindo seu próprio método de criptografia. Mas uso apenas pelo suporte ao TrueCrypt.)

Agora vá em frente e crie seus drives seguros! Quem nunca usou está desperdiçando o potencial de salvar e-mails, chats, fotos antigas, projetos, poemas embaraçosos e quaisquer outros arquivos que não voltarão para assombrar a sua carreira política daqui a 20 anos depois de terem roubado o seu notebook.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Backups em tempo real para CD e DVD no Linux

Durante o Carnaval, eu fiz backups.

Houveram bons (e breves) tempos em que um CD-R era tudo que se precisava para um backup completo. Esse poder, infelizmente, é uma lembrança.

Em tempos de banda larga, anexos de e-mail gigantes, podcasts, fotos de 5Mb e vídeos amadores de 2Gb, nem DVD-R de camada dupla compensa mais.

Já fez backup de suas fotos nos últimos dois anos? Já teve que separá-las manualmente em pastas, controlando para que cada uma não passe de 4,4Gb, para gravar todas individualmente depois? Verificando a mídia depois de cada DVD?

Eu fiz isso e persisti, mas em intervalos cada vez maiores. Então pensei: está na hora de arrumar um programa mais simples. Quero escolher minhas pastas, dar OK e largar um DVD-RW dentro do drive. Quando este encher, ele pede outro, e assim vai, até terminar. A idéia é simples e deve haver mais de 50 programas para fazer isso no Linux. Certo?

Não.

Comecei por todo o repositório do Ubuntu, depois um pouco de Google, depois Freshmeat. Horas depois, saí com apenas dois programas adequados, ambos para console: discspan e splitpipe.

O discspan é um script de python, bem simples. Não criptografa e não compacta, só faz uma lista de arquivos, indica quantos DVDs serão necessários, e sai gravando. Bom para backup de fotos, que não compactam nada mesmo e cada foto nestes DVDs pode ser carregada diretamente.

Para as outras tarefas (backup do /home, por exemplo), a única alternativa elegante é o splitpipe. Ele recebe um tar gigante em tempo real, com compactação a gosto, e vai gravando DVDs até terminar.

Fiz alguns testes e funcionou bem. Exemplo real, lembrando que você deve saber, no mínimo, qual o nome do device do seu gravador de DVD:
# tar -c gnutella/ Documents/ Mail* *.pdf | gzip --fast | splitpipe -b 50 -s dvd -o 'growisofs -dvd-compat -Z /dev/hdd=/dev/stdin'
Você pode se aventurar e arriscar um seletor pelo kdialog, por exemplo:
# tar -c `kdialog --title "Selecione os arquivos ou pastas desejadas:" --getopenfilename $HOME --multiple` | gzip --fast | splitpipe -b 50 -s dvd -o 'growisofs -dvd-compat -Z /dev/hdd=/dev/stdin'
(Este último não foi testado. Deve causar problemas com arquivos acentuados ou com espaços ou outras coisas. Mas é só refinar. :))

O programa funciona bem, mas não é perfeito: não verifica a mídia após a gravação e se houver algum erro durante a gravação, ele pára tudo, com ou sem burn-free. Use algo como o dvdisaster para conferir as mídias depois.

Para quem tem espaço sobrando no disco e não se importa em gravar as ISOs antes, permitindo gravá-los com verificação depois, tem ainda o MondoRescue e o kdar, entre outros.

Mas estes acima eu não testei. Boa sorte. :)