quarta-feira, 3 de junho de 2009

iPod Touch - Memórias do Cárcere

O iPod Touch/iPhone e o xbox clássico tem uma característica comum: ambos são brinquedos caros, medíocres e incapacitados, até você encher o saco e desbloqueá-los. É só capacitar o aparelho para fazer tudo que o fabricante não permite, e finalmente, você tem em mãos o produto pelo qual pagou.

Um Xbox, pela instalação de um simples modchip, se transforma de um repositório de jogos medíocres para a melhor plataforma atual para ver filmes, fazer streaming e emulação perfeita de dezenas de consoles. Ele toca até arquivos .rmvb (o fetiche sórdido da comunidade brasileira de vídeo) na sua TV de 90 polegadas. Sem o modchip, a Microsoft cobra você até pelo direito de tocar DVDs no aparelho que já vem com o drive.

O iPod Touch sempre foi um kit de sadismo perverso para usuários de Linux, e uma cueca rendada e ligeiramente desconfortável para usuários de Windows. Quem tinha Windows tinha que se curvar aos caprichos do magnânimo iTunes para fazer qualquer coisa, desde passar músicas, ativar o suporte do Youtube no aparelho antes do primeiro uso, e até passar fotos e vídeos com poucas opções e com um humilhante suporte de codecs de vídeo.

Se você conseguisse passar um décimo dos vídeos que queria para seu iPod, comemorava com champanhe. Suas MP3, uma vez dentro do aparelho, mudavam seus nomes ao exemplo de "43KJH5GFI34H89U.MP3" e nunca, nunca mais saíam de lá.

Usar seus 8/16Gb para transferir arquivos...? Está louco, seu pirata sujo?! Primeiro, você precisaria carregar o cabo USB proprietário e o CD de drivers com você o tempo todo. Segundo, precisaria castigar o recipiente dos arquivos empurrando o elefante branco do iTunes no PC de seu amigo choroso.

Terceiro, você acaba de cair no hilário trote da Apple; o iTunes não deixa usar o iPod para armazenar e restaurar arquivos avulsos. Ha! Espero que tenha deixado de ser comunista e nunca mais pense em copiar arquivos sem pagar nada a ninguém pelo privilégio!

Como usuário de Linux que comprou um iPod Touch sem considerar a quantidade nociva de coliformes fecais na cabeça dos executivos da Apple, não sabia que haveria tão pouca utilidade no aparelho antes de romper sua proteção. Passei semanas sem ouvir uma música sequer por ele. Utilizava-o para navegar na Web e ler meus e-mails na cama, até decidir finalmente fazer o jailbreak.

A expressão inglesa é perfeita: "fuga da prisão". Ao fazê-lo, seu iPod estará livre. O iTunes pode ir para o lixo do banheiro, tudo fica mais fácil no Windows, seu iPod ganha superpoderes e tudo se torna igualmente acessível, com facilidade, pelo Linux.

No próximo post, mencionarei os programas que utilizei e quais devem ser instalados no iPod para torná-lo facilmente acessível pelo Linux. E os usuários de Windows podem se livrar do miserável iTunes. Enfim, livre!

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